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A década de 60 foi marcada por inúmeras séries de ficção-científica que hoje são consideradas clássicas como Jornada nas Estrelas, Os Invasores, Quinta Dimensão e por quatros obras do produtor Irwin Allen: Viagem ao Fundo do Mar, Perdidos no Espaço, O Túnel do Tempo e Terra de Gigantes. Falaremos nesta matéria sobre o responsável por estas quatro imortais séries. O diretor e produtor Irwin Allen nasceu em New York no dia 12/06/1916 (notem que esta data é a que ocorre o primeiro episódio de Terra de Gigantes, com o vôo fatídico da nave Sprindrift - 12/06/1983).
O nova-iorquino sempre foi um homem obstinado, onde o seu ego dava limitada margem para que os companheiros de produção como atores, diretores e roteiristas, tomassem direção própria, com rara exceção dada ao personagem Dr. Smith, moldado por seu interprete, Jonathan Harris, outra personalidade com forte ego. Eis alguns toques da forte personalidade, tenacidade e controle de produção de Irwin Allen.
Depois
de concluir a universidade, com sua tenacidade, Irwin Allen viajou para
Hollywood onde trabalhou como editor de revista (Key Magazine), escritor,
produtor radiofônico (estação KLAC), colunista de celebridades do
cinema (Hollywood Merry-Go-Round) e dono de uma agência literária.
Através desta agência, manteve contatos com várias pessoas importantes
do rádio, televisão e cinema, além de representar escritores como Fanny
Hurst ("Imitação da Vida") e Ben Hecht, que escrevia freqüentemente com
a colaboração de Charles MacAthur.
O tempo prosseguia em sua marcha. Irwin Allen
chega a grande tela com a produção de sua comédia "Isto Sim Que é Vida"
("Double Dynamite", 1951) com Frank Sinatra e seu amigo por muitos anos,
Groucho Marx. Outras produções desse início são "Trágico Destino" ("Where Danger Lives", 1951) com Robert Mitchum e Claude Rains,
além de outra comédia
com Groucho Marx, "Uma Mulher em Cada Porto" ("A Girl Every Port", 1952).
Também é dessa época o filme rodado em 3-D, "Dangerous Mission".
"Trágico
Destino" marca a colaboração do escritor Charles Bennett com Irwin Allen.
Bennett, que escreveu várias histórias para o mestre Sir Alfred
Hitchcock, além de escrever roteiros de filmes para Allen, também
escreveu episódios para as séries Viagem ao Fundo do Mar e Terra de
Gigantes.
Nos anos 60, Irwin Allen produz e dirige o remake "O Mundo Perdido" (The Lost World) agora na Twentieth Century-Fox. Este filme traz o padrão que seria a tônica em todas as suas quatro séries clássicas, especialmente no item economia, sendo utilizadas várias cenas desta produção (footage): dinossauros, monstros, vulcanismo, etc. O ano de 1961 marca o aparecimento da longa "Viagem ao Fundo do Mar" (Voyage to the Bottom of the Sea), com Peter Lorre, Michael Ansara, Barbara Eden e Joan Fontaine. No ano seguinte, lançou "Cinco Semanas Num Balão", que foi um fracasso. Hollywood estava mudando. A temática da grande tela estava se direcionando para as questões sociais deixando um pouco de lado enredos de aventura, fantasia e especialmente ficção-científica. A televisão aparece como a grande opção para Irwin Allen desenvolver o seu mundo fantástico. Em
1964, Viagem ao Fundo do
Mar se torna uma série estrelada por Richard
Basehart e David Hedison, tendo uma jornada de quatro prósperos anos. Os
episódios realizados em preto e branco, apresentando as aventuras dos
tripulantes do submarino atômico Seaview, eram um pouco mais sérios que
os das últimas temporadas e coloridos como "O Homem Lagosta",
"Os Duendes" e "A
Volta do Barba Negra". Contudo, Viagem ao Fundo do Mar se torna uma série
clássica que vence o tempo, maravilhando gerações. Chega
o ano de 1965 e as famílias do mundo inteiro começam a entrar em contato
com Perdidos no Espaço (Lost in Space) que trata das aventuras da família
Robinson e do piloto da nave Júpiter II, Donald West, que são enviados
para o espaço afora deixando para traz a superpovoada Terra. No piloto não
exibido - "No Place to Hide" - não existiam os dois personagens que marcariam a
série: o Robô e o Dr. Zachary Smith. Os executivos da
Rede CBS acharam que seria melhor colocar um vilão (Dr. Smith) que
potencializaria as histórias e que a priori iria acompanhar as aventuras
dos Robinsons até o sexto episódio, fato que não ocorreu devido à
perspicácia de Jonathan Harris em salvar o personagem Smith da morte (corte). Um robô foi também adicionado e juntamente com o anti-herói
mais amado da tevê, o Dr. Smith, se tornaram as estrelas do espetáculo.
Como ocorreu com Viagem ao Fundo do Mar, a ênfase séria dos episódios em preto e branco
cede com advento do colorido a histórias cômicas e bizarras. Esta é a
contribuição da série concorrente e de humor camp Batman.
Perdidos no
Espaço tem o grande mérito de trazer para o mundo de Irwin Allen o
grande músico e maestro John Williams. O
Túnel do Tempo (The Time Tunnel) era um projeto ambicioso sobre viagem no tempo. Esta série de apenas 30
episódios que utilizava footages de antigas produções, foi estrelada por
James Darren, Robert Colbert, Lee Meriwheter, Whit Bissel e John Zaremba.
Uma vez foi perguntado a Paul Zastupnevich qual era a série favorita de
Irwin Allen. Ele respondeu que Allen era muito parcial com O Túnel do
Tempo e ficou muito desapontado com o seu fim precoce devido a queda de
audiência.
Chega
a década de 70 e Irwin Allen ganha a reputação de "Mestre dos
Desastres", com os proeminentes filmes de suspense e ação, "O Destino
do Poseidon" (The Poseidon Adventure, 1972) e "Inferno na Torre" (The
Towering Inferno, 1974). O elenco de ambas produções era uma galáxia e
Irwin Allen recebeu o título de chefe-bombeiro honorário em 73 cidades americanas, devido a
"Inferno na Torre". Após, vieram duas
séries inferiores em relação as quatro anteriores, A Família Robinson
(The Swiss Family Robinson) e Código R (Code R), além dos filmes-desastres
"O Enxame" (The Swarn, 1978), "O Dia em que o Mundo Acabou" (When
Time Ran Out, 1980) e "O Retorno Dramático no Poseidon" (Beyond the
Poseidon Adventure, 1979). Allen também transfere a sua teoria de
desastres, "enquanto existirem seres humanos neste planeta, haverá
tragédias na vida real; as pessoas os chamam de filmes-catastrofes, mas
na realidade são filmes de grandes aventuras com elementos de tragédia e
crise", para a televisão gerando "Inundação" (Flood, 1976),
"Fogo" (Fire, 1977), "Soterrados" (Cave-In, 1983),
entre outros. Os seus últimos
trabalhos foram a mini-série "Alice no País das Maravilhas" (Alice in
Wonderland, 1985) e um filme atípico de suas produções anteriores,
"Outrage" (1986), um drama de tribunal. O
"Jules Verne da televisão" vinha idealizando vários projetos, como
a criação de seu parque de diversão temático, nova versão de Pinóquio
e Perdidos no Espaço, mas, infelizmente, o seu tempo entre nós esgotou-se e
faleceu no dia 02/11/1991 em Malibu, Califórnia. A notícia do
falecimento de Irwin Allen foi ofuscada pela morte dias antes do produtor
e criador de Jornada nas Estrelas, Gene Roddenberry. Com certeza, o ano de
1991 marca a partida de dois dos grandes gênios da ficção-científica
da televisão. Irwin
Allen deixou um legado igualável a poucos. É só pesquisar quantos bons
diretores e/ou produtores levantaram um Oscar (usando este prêmio de
referência). Ele teve uma dúzia de indicações e ergueu em cinco
oportunidades a estatueta muito cobiçada no meio artístico. Que sua memória
seja preservada por todos os seus trabalhos e cabe aos seus admiradores
espalhados pelo mundo mantê-la acesa.
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