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ARTIGOS |
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Gênios Animados! Existirá na face da Terra alguém que não conheça os maravilhosos personagens da Turma do Pernalonga e companhia? Difícil de acreditar que sim, pois ainda hoje é possível ver esta turma na tevê, pondo em prática a mais perfeita tradução do que é um cartoon. Mas quem são os responsáveis por estas criaturas? Com o título de Looney Tunes (Melodias Malucas), a Warner Bros. batizou os desenhos produzidos entre os anos de 1930 a 1968, sendo que neste período ocorreram várias mudanças na equipe. De criadores a personagens, houve momentos de sucessos e de crises. O principal elenco era formado por: Pernalonga (Bugs Bunny), Patolino (Daffy Duck), Gaguinho (Porky Pig), Frajola (Sylvester), Piu-Piu (Tweety), Frangolino (Foghorn Geghorn), Papa-Léguas (Road Runner), Coiote (Wile E. Coiote), Pepe Le Pew (Pepe Lê Pew), Hortelino Troca-Letras (Elmer Fudd), Eufrazino (Yosemite Sam), Ligeirinho (Speedy Gonzalez) e outros... Neste mundo fictício, surgiu também um empreendimento que deu super certo - uma empresa criada exclusivamente para atender aos personagens "Tunes". Um dos principais clientes da ACME (A Company that Makes Everything [Uma Companhia que Faz Tudo]) era o destemido Coiote, que recebia todo tipo de parafernálias para capturar o Papa-Léguas. Quando surge o termo "desenho animado" - nome ou tradução sugestiva para o original em inglês "cartoon" - vem em mente o nome de Walt Disney e suas criações. Isto por ser ele um dos pioneiros da animação mundial e por ter adotado um estilo com personagens de atitudes politicamente corretas. Ou pelo menos quase, já que é impossível imaginar que um desenho animado não tenha todas as maluquices e ações irreais permitidos a este mundo (se me permite, Cartolândia), ainda que seja um desenho dos estúdios Disney.
Outros nomes da animação resolveram seguir caminhos diferentes, criando personagens mais anárquicos e malucos. A diferença está no número de criadores envolvidos neste trabalho, pois era uma equipe tão inconseqüente quantos seus filhotes. Pois bem, vamos a eles: Na década de 30, a Warner Bros. resolveu apostar suas fichas na até então novidade que era o desenho animado. A intenção era de divulgar seu novo sistema de som batizado de Vitaphone, competindo exatamente com os estúdios Disney, que ganhavam terreno com um certo personagem de nome Mickey Mouse. Os gênios, inicialmente, estavam sob a batuta do produtor Leon Schlesinger, que os abrigou em um barracão batizado de "Termite Terrace", onde poderiam dar asas as suas imaginações. O primeiro cartoon do estúdio ganhou vida nas mãos da dupla Rudy Ising e Hugh Harman, batizado inicialmente de Bosco e em seguida de Buddy, dando início à família Looney Tunes. Tempos depois, a equipe se transferiu para outro estúdio concorrente, a MGM, e levaram na bagagem seus personagens, já que haviam patenteados. O mesmo cuidado eles não tiveram anteriormente com uma outra criação deles, o Coelho Oswaldo, que segundo a concorrência foi apropriado pela Disney.
Então, em 1935, Bob Clampet cria o seu primeiro filho, o Gaguinho, seguido pelo Piu-Piu. Clampet ficou com o grupo até 1946, quando criou seu próprio estúdio e dedicou-se única e exclusivamente à tevê, onde criou os personagens maravilhosos – conhecido por poucos, acredito eu – Beany & Cecil, em 1967. Reza a lenda que o mais famoso de todos os personagens dos Looney Tunes foi uma criação coletiva, e apareceu como coadjuvante em um episódio estrelado por Gaguinho, sendo batizado como Bugs, pseudônimo do desenhista Ben Hardaway. Nas primeiras aparições, Pernalonga tinha um riso parecido com o de Pica-Pau – que ainda não tinha sido criado – pois seu dublador era o genial Mel Blanc, responsável por grande parte das vozes dos desenhos da Warner e que anos depois daria vida e som ao espevitado pássaro. O curioso é que Blanc detestava cenoura, sendo que na hora que fazia a dublagem, ele cuspia apressadamente a leguminosa preferida do orelhudo. Mas quem moldou definitivamente a figura e personalidade de Pernalonga, foi também outro gênio, Tex Avery em 1940, dando-lhe o bordão: - "O que é que há velhinho?", e criando também o seu arquiinimigo, o Patolino. Avery permaneceu com a equipe até 1942, indo em seguida também para a MGM, onde deixou a marca de sua criatividade criando o dengoso cachorrinho Droopy. Com o fechamento do departamento de animação da MGM, transferiu-se para a Universal e unindo-se a mais um gênio: Walter Lantz. O resultado foi a criação do pingüim Chilly Willy (Picolino). Em 1944, o responsável pela união do grupo do "Termite Terrace", Leon Schlesinger, transfere seu comando para o executivo Edward Selzer, que tinha menos intimidade com o meio do que seu antecessor. Mas mesmo com a sua falta de feeling, foi salvo pela genialidade dos seus comandados.
Um capítulo à parte deve ser creditado a fantástica trilha sonora dos Looney Tunes, primeiramente sob a batuta de Carl Stalling e depois Milt Franklin, é simplesmente uma pérola de criatividade e qualidade, pois é a união da música clássica com efeitos sonoros onomatopéicos. A época de ouro dos "Tunes" é creditada também a dupla de escritores Warren Foster e Mike Maltese, responsáveis pelas histórias mirabolantes e que, por coincidência ou acaso do destino, fez com que a Warner encerrasse suas atividades no campo da animação em 1964. Mas não foi totalmente o fim, já que os estúdios terceirizam sua produção com um novo estúdio batizado DePatie-Freleng, que nasceu da união de Dave DePatie (filho do vice-presidente da Warner) e Friz Freleng, (veterano animador dos "Tunes"). Deste novo estúdio nasceram personagens memoráveis, a começar por um personagem que ganhou vida no cinema, mais precisamente na cine-série estrelada por Peter Sellers (Inspetor Clouseau), A Pantera Cor-de-Rosa (The Pink Panther,1964). Vieram então, O Inspetor, A Formiga e o Tamanduá, O Poderoso Cachorrão, desenhos excelentes que nenhuma tevê aberta tem a dignidade de trazer para a atual geração "teen". No período entre 1964/67, o estúdio produziu 38 curtas animados, e neste mesmo ano, a parceria Warner & Depatie-Freleng se desfez. Com isso, a Warner voltou a produzir desenhos com a supervisão de Alex Lovy e depois Robert MacKinson, mas não obtiveram sucesso. No ano seguinte fecham novamente seu departamento de animação, sendo preciso duas décadas de silêncio para que tudo recomeçasse novamente.
Em 1988, chega aos cinemas uma produção que revolucionou tecnicamente o modo de se fazer cinema de animação/interação. Robert Zemeckis prestou uma homenagem ao maravilhoso mundo dos cartoons, com "Uma Cilada Para Roger Rabbit" (Who Framed Roger Rabbit, 1988), onde resgata todo o espírito anárquico dos Looney Tunes e também de outros personagens que não faziam parte da trupe, mas que ainda hoje são idolatrados – sempre – por todos nós. Com o estrondoso sucesso de Roger Rabbit nos anos 90, um garoto chamado Steven Spielberg produziu uma versão juvenil para a tevê, batizada de Tiny Toons, conquistando a simpatia da garotada. Com isso a Warner ganhou fôlego novamente e levou para o cinema toda sua trupe com o longa "Space Jam - O Jogo do Século" (Space Jam, 1996). O tempo passa, mas isto é somente um detalhe para estes personagens que já se tornaram eternos, sendo cultuados por uma geração que sempre primou pela qualidade e inteligência destes cartoons, os mais amados do mundo!
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