Mr. Magoo

Ficha-Técnica

Título: Mr. Magoo (Mr. Magoo/1949-67/EUA/Cor)
Gênero: Animação/Comédia
Produtora: UPA/DePatie-Freleng
Criação: John Hubley
Formatos: Mr. Magoo (1949/59) – episódio piloto mais 52 episódios de 6 minutos, produzidos pela UPA Productions e distribuídos para o cinema pela Columbia Pictures; Mr. Magoo (1960/61) – 130 episódios de 5 minutos, distribuídos em 26 programas de 25 minutos, produzidos pela UPA Productions e distribuídos pela Columbia Pictures Television; As Maiores Histórias de Todos os Tempos (The Famous Adventures of Mister Magoo, 1964/65) – 26 episódios de 30 minutos, mais dois especiais de uma hora (1962 e 1970); O Que Há de Novo, Mr. Magoo? (What’s New, Mister Magoo?, 1977) – 32 episódios de 15 minutos, produzidos para a TV pela DePatie-Freleng Enterprises (DFE), exibidos entre  setembro e dezembro de 1977 pela CBS
Dublagem: AIC/SP [José Soares (Mr. Magoo), Antônio Celso (narrador)
Distribuição no Brasil: Columbia Pictures Television
Exibição: CBS, NBC (EUA), TV Tupi (Brasil), TV Record (Brasil), TVS/SBT (Brasil), Warner Channel (América Latina)

A Série Animada

Os estúdios UPA - United Productions of America criaram um estilo revolucionário nos anos 1950, que mudou completamente o estilo dos desenhos animados. Eles deixavam de ter o estilo “fofo” dos estúdios Disney para usar um design mais moderno, que acabou por influenciar diversos estúdios - inclusive a Disney, que modernizou seu traço.

Durante as décadas de 1940/50, a UPA produziu dezenas de curtas-metragens para o cinema, denominados Jolly Frolics, em parceria com a distribuidora Columbia Pictures.

Em 1949, refletindo a ideologia da UPA, o cartunista John Hubley não queria produzir desenhos animados com animais engraçados e propôs uma história à Columbia Pictures que utilizasse os personagens humanos Quincy Magoo e seu sobrinho Waldo. A distribuidora apenas concordou por que a história tinha um urso como protagonista.

O episódio, intitulado "The Ragtime Bear", foi escrito por Millard Kaufman (1917-2009) com a colaboração do diretor John Hubley. Este trabalho marcou a primeira aparição do personagem Mister Magoo, inspirado no tio de Hubley -- Henry Woodruff -- e no ator W. C. Fields, conhecido no cinema por seu mau humor.

Os traços são diferentes daqueles que se tornariam definitivos. A história mostra Magoo como um velhinho excêntrico que sai de férias às montanhas geladas com seu sobrinho Waldo. Devido à miopia de Magoo, ele acaba se separando do  sobrinho, que estava trajando um casaco de pele, um chapéu e segurando um banjo nas mãos. Um urso, que havia seguido os dois por gostar do som do instrumento, acaba se apoderando do banjo e do chapéu no momento em que Waldo cai em um precipício. A confusão se inicia quando Magoo acaba se deparando com o grande e urso "vestido de Waldo" e o confunde com seu sobrinho. O público dos cinemas gostou do enredo e se deu conta de que a verdadeira estrela era Magoo, um dos poucos humanos que já haviam aparecido nos desenhos animados produzidos em Hollywood.

“The Ragtime Bear”

Dado o sucesso, o produtor decidiu transformar Magoo no carro-chefe das exibições da UPA no cinema e num dos primeiros personagens humanos no mundo da animação. O estúdio produziu, então, 52 curtas-metragens de Mr. Magoo. O diretor de animação da UPA, Pete Burness, foi o responsável por moldar as caraterísticas do personagem de Mr. Magoo, tornando-o mais atraente para o público de massa.

O velhinho, além de míope, é ingênuo e capaz de confundir o esgoto com a entrada do metrô, um semáforo com um guarda ou mesmo um manequim com uma senhora. Curiosamente, a sua extraordinária falta de visão não só lhe trará problemas, mas também acabará ajudando-o a sair de situações embaraçosas. Além disso, é um homem de sorte e persistente. Não surpreenderá, portanto, sua boa educação, bom humor e alegria de viver. Ele tem seu mundo próprio sem saber das suas ilusões ópticas que distorcem a realidade.

Um bordão de Mr. Magoo virou marca registrada: “Oh! Sim, sim, eu lhe digo”.

Os curtas de Mr. Magoo receberam quatro indicações para o Oscar de melhor curta de animação. Foram duas vezes ganhadores, sendo um pelo episódio “When Magoo Flew” (1955) e outro por “Mr. Magoo’s Puddle Jumper” (1956).

O dublador oficial americano de Magoo foi o ator Jim Backus, conhecido como o milionário Thurston Howell III, da série Ilha dos Birutas (Gilligan’s Island). Ele dublou o velhinho desde o surgimento, em 1949, até seus últimos anos de produção, nos anos 1970. Backus usou na sua caracterização de Magoo a imitação que fazia da voz de seu pai.

Em 1956, Magoo apareceu em quatro comerciais da cerveja Hawking, o que gerou protestos de associações de cegos. A General Electric Company, também escolheu Magoo como modelo para uma campanha de lâmpadas. O comercial dizia que é fácil ver que a melhor lâmpada é GE. Tais aparições nos comerciais muito contribuíram para a popularidade de Magoo.

Waldo

Em 1958, o diretor Pete Burness começou a trabalhar em um primeiro longa-metragem. O projeto inicial era filmar uma versão “Mr. Magoo” de Don Quixote. O escritor Aldous Huxley chegou a fazer o pré-roteiro, mas os investidores nunca tinham ouvido falar de Don Quixote e o projeto mudou para uma versão das Mil e Uma Noites. Com o financiamento aprovado, “The 1001 Arabian Nights” estreou no Natal de 1959, nos EUA. Mas os números da bilheteria não agradaram.

A UPA dava uma grande liberdade aos desenhistas, roteiristas, diretores etc. Porém, essa liberdade resultou em problemas financeiros para o estúdio. O contrato da UPA com a distribuidora Columbia Pictures previa um orçamento de 27 mil dólares por curta-metragem e participação dos lucros de 25% em cada filme. O valor final da produção frequentemente era maior do que o estipulado e os direitos acabavam ficando integralmente a Columbia. Muitas concessões tiveram de ser feitas, a fim de permanecer no negócio, e o grupo original de animadores foi se dispersando devido a brigas e outros fatores. Havia muitos gênios e realmente não seria difícil aparecerem problemas.

Com a perda da maioria do pessoal criativo e a insatisfação da Columbia com a pequena bilheteria de “The 1001 Arabian Nights”, o único sócio remanescente dos fundadores da UPA — Steve Bosustow — vendeu a empresa para o produtor Henry Saperstein, pouco após a virada dos anos 1960.

O novo proprietário decidiu investir em novos episódios de Mr. Magoo, porém, agora, para serem vistos na televisão. A nova série, intitulada Mr. Magoo, estreou em 7 de novembro de 1960 com um elenco que incluía seu sobrinho Waldo, dos curtas-metragens, a mãe de Magoo, o tio milionário de Magoo, entre outros.

A série foi distribuída em “syndication”, ou seja, também foi negociada com emissoras locais para exibição. Foram produzidos 130 curtas-metragens de 7 minutos de duração, mas que não tinham a mesma qualidade dos curtas-metragens.

Patrocinado pela marca de relógios Timex, “O Conto de Natal de Mr. Magoo” (Mr. Magoo’s Christmas Carol) apareceu no horário nobre da rede NBC em 18 de dezembro de 1962. Magoo foi protagonista da nova versão musical do clássico de Charles Dickens, “Um Conto de Natal”, vivendo o avarento Ebenezer Scrooge. A produção ficou marcada como a primeira animação especial de férias já produzida especialmente para a televisão.

“As Maiores Histórias de Todos os Tempos”

Outra produção animada da UPA – o especial de feriado Gerald McBoing Boing — recebeu críticas e audiência favoráveis e levou a NBC estrear, em horário nobre, uma nova série de Mr. Magoo. As Maiores Histórias de Todos os Tempos (The Famous Adventures of Mr. Magoo) foi ao ar entre setembro de 1964 e abril de 1965, com 13 episódios, e apresentou Magoo vivendo novamente papéis de figuras histórias e literárias como Cyrano, Robin Hood, Long John Silver, Rip Van Winkle e Tio Sam. Mas tudo isso não agradou o público, já que a principal característica do velhinho, que era não enxergar direito, deixou de existir.

A UPA levou novamente Mr. Magoo para horário nobre em 1970, quando a empresa Maxwell House Coffee patrocinou uma hora do especial “Uncle Sam Magoo” na NBC-TV. O especial foi bem produzido e até rendeu uma premiação ao compositor Walter Scharf, responsável pela trilha sonora.

Em 1977, o estúdio DePatie-Freleng – responsável pelas séries animadas da Pantera Cor-de-Rosa, A Cobrinha Azul, Toro e Pancho – adquiriu uma licença da UPA e produziu 13 episódios de uma nova série de Mr. Magoo, intitulada O Que Há de Novo, Mr. Magoo? (What’s New, Mister Magoo?). Com meia hora de duração, a série foi ao ar nos EUA nas manhãs de sábado pela rede CBS. Os episódios, que voltaram a mostrar os problemas de Mr. Magoo com sua grave miopia, trouxeram de volta seu sobrinho Waldo e apresentaram o cachorro McBarker, um bulldog falante que, além de ter traços de sua face muito parecidos com o de Magoo, também tem problemas de visão. É hilário observar que os olhos de McBaker são apenas dois traços, iguais aos de Magoo. A série foi ao ar entre setembro de 1977 e setembro de 1979.

McBaker e Magoo em “O Que Há de Novo, Mr. Magoo?”

Mr. Magoo ficaria no ostracismo durante duas décadas, com algumas tentativas de ressuscitamento que não deram certo. Até que a Walt Disney licenciou o personagem para produzir um filme live-action em 1997, com o ator Leslie Nielsen vivendo o velhinho cego. A história mostra Mr. Magoo como um milionário excêntrico, que tem a visão prejudicada e que se recusa a usar óculos. Assim, ele se coloca em diversas encrencas. Desta vez ao invés de cortar a fita de inauguração de uma exposição num museu, ele acaba cortando os fios de eletricidade, deixando o museu às escuras. Algo de interessante nesse filme é que as melhores “gags” dos desenhos clássicos foram utilizadas. Apesar de algumas críticas negativas, a bilheteria foi considerada boa.

Publicado originalmente em 01/03/2011. O autor desta matéria é Maurício Viel.
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Multimídia

Clique e assista ao episódio “De Volta à Escola” de Mr. Magoo, com a dublagem original em português do Brasil.

Clique e assista ao episódio “Mr. Magoo’s Concert” de O Que Há de Novo, Mr. Magoo?, com som original em inglês.

Clique e assista ao curta-metragem “The Ragtime Bear” (em inglês), a primeira aparição de Mr. Magoo.

Clique e assista ao comercial da General Eletric estrelado por Mr. Magoo.

DVD

Em 2006, a Focus Filmes colocou no mercado brasileiro a caixa “The Mr. Magoo Show – Edição Especial de Colecionador”. São quatro discos com um total de 130 episódios do simpático velhinho míope. Todos eles são da segunda fase do personagem, produzida em 1960 pela UPA.

A dublagem utilizada é a mesma que o canal Boomerang exibiu na metade dos anos 2000, ou seja, não é a original, mas Magoo foi dublado novamente pelo veterano José Soares (já falecido).

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Galeria

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Comentários

  1. Guilherme S. disse:

    É uma pena não ter no Brasil dvd com os episódios dos anos 50.