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Análise |
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Uma
visão sociológica de "Os Invasores"
Apesar
de uma ficção, a produção da série não perdeu a oportunidade de
enfocar as mazelas da sociedade americana, dando um ar de realismo nas
eletrizantes tramas elaboradas em seus episódios. A cada dia, David
Vincent visita um estado americano, sempre procurando pelos invasores.
Trata-se de um arquiteto "vagabundo", pois nessas viagens,
pouco tempo lhe resta para desempenhar sua verdadeira profissão. Na
realidade, na obsessão de provar a existência de alienígenas na Terra
para um mundo descrente, David Vincent é um solitário, isolacionado
da sociedade e também um intruso invasor dos lares de famílias, escritórios
militares ou grandes companhias de jornais. Como invasor na vida de
muitos, David Vincent não parece atingir o objetivo primeiro, que é o de revelar à humanidade que os invasores já
estão entre nós. Mas
de certa forma, com a sua presença e as virulentas suspeitas que
levanta sobre quem quer que fosse, ele acaba por conscientizar as
pessoas de seus próprios problemas e contribui de alguma maneira para
que alguém retome o seu rumo, para que alguns poucos envolvidos na
trama endireitem suas vidas. Questões de patriotismo, de dever cívico,
lealdade familiar e valores pessoais são atingidos dentro de uma
atmosfera de paranóia
sufocante. Graves erros de julgamento são de repente transformados na
vida das pessoas, que aprendem a melhorar, a ser melhores com a mesma
velocidade desenvolvida pelo disco voador invasor. Ao longo da série, o
próprio David Vincent vivencia uma dualidade. Ele é tido como um lunático
para muitos e também se transforma numa celebridade, numa autoridade
respeitada em discos voadores para tantos outros.
Quando
os invasores tomam a forma humana, em qualquer tempo ou idade, o
disfarce mais comum é o de homens de negócios bem-sucedidos, vestidos
conservadoramente de terno e gravata, muitas vezes carregando pastas ou
valises, sempre acompanhados de pessoas vestidas igualmente de terno e
gravata e dirigindo um imponente Ford Sedan escuro.
A
descrição desses invasores é muito parecida com as do fenômeno dos
Homens de Preto, que até virou comédia num filme feito para o cinema e
faz parte do folclore dos OVNIS que remontam os anos 50. Lendas
urbanas dão conta de que as pessoas que reportavam qualquer presença
alienígena, ou contato de terceiro grau, eram interrogadas por homens
vestidos de terno preto, que representavam misteriosos grupos partidários
com um forte interesse em espaçonaves e que desapareciam com a mesma
velocidade com que surgiam.
O
utilitário utilizado pelos invasores não foi apenas uma obra de ficção
do criador Larry Cohen. A nave espacial, que possui uma cabine
interna, externamente lembra um chapéu e possui uma base com um
hemisfério brilhante. Tal espaçonave corresponde exatamente aos discos
que eram descritos pelo guru dos OVNIS, George Adamski, que afirmava
veementemente que já havia dado muitas voltas a bordo desses OVNIS,
muito antes da sua concepção televisiva na série.
Não
foi apenas uma vez ao longo da trama que os invasores mostraram seres
sempre uniformizados, sem nenhum sentimento ou emoção e que recebiam treinamento através de
manipulação, onde eram expostos a motivações e respostas, dentro de
um centro de treinamento próprio que se prestava única e
exclusivamente para orientá-los sobre o comportamento humano. Tais
centros mais pareciam locais de concentração e mostravam com
propriedade o mundo como os poderosos e os controladores o querem,
homens obedientes e somente expostos a aquilo que os convêm, sem
questionamentos e sem levantar dúvidas ou questionamentos sobre isso ou
aquilo outro.
Por
esses e outros aspectos, Os Invasores se transformou numa série cult dos anos 60 e somente foi finalizada de modo prematuro
por causa de uma visão "quadrada", comercial e incompreensível de seus
produtores, fato esse que ainda hoje acontece em muitas produções
interessantes. As atuais séries de ficção científica parecem
preferir vender efeitos especiais e atores medíocres com aparência de
bonecos e manequins, a investir em estórias e tramas bem elaboradas,
que edifiquem o pensamento humano ou que dramatizem a vida como ela é
realmente, sem segredos e mistérios, expondo as mazelas e os problemas
sociais vistos sob um prisma filosófico. O medo desses poderosos é
realmente justificável, pois a partir do momento em que o homem tiver a
sua mente aberta e obtiver uma visão ampla da sua existência, do seu
potencial e do seu intelecto, o panorama que aí está irá mudar
radicalmente e o mundo poderá finalmente livrar-se do fantasma dos
invasores, principalmente dos invasores da mente, aqueles que só
objetivam atrofiar o cérebro humano e minar todas as tentativas de fuga
para uma dimensão intelectual mais digna e mais compatível com a espécie
humana.
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No
Brasil |
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Os
Invasores chegou a ser exibido pelas TVs Record e Bandeirantes, nos
anos 70 e 80. Foi ao ar pela última vez em 1995, pelo canal pago Teleuno. Sediado no México, o canal pertencia ao grupo
Spelling
Entertainment Inc. e foi
vendido em 1998 para a Sony Pictures, dando lugar ao atual AXN. O
Teleuno,
especializado em filmes, séries e desenhos, felizmente exibiu Os Invasores
com a dublagem original brasileira.
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Curiosidades |
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Na
versão original em inglês, o ator William Conrad foi o narrador
invisível da série, pelo menos nos créditos iniciais, como também
na maioria das séries produzidas por Quinn Martin.
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Embora
tenha sido uma série antológica com apenas uma estrela principal,
o ator Roy Thinnes, muitos outros atores apareceram em mais de um
episódio, interpretando diferentes personagens. Num episódio,
considerado raro pela época em que foi ao ar, "The Vise"
(O Torno), todo o elenco era de atores negros, com exceção
de Roy Thinnes e Kent Smith.
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A
série é bastante cultuada na Europa, mais do que propriamente nos
Estados Unidos, possuindo mais fãs na Alemanha e na França.
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A
aparência original dos alienígenas somente foi revelada uma vez,
perto do final da segunda temporada, no episódio chamado "The
Enemy" (O Inimigo). Richard Anderson (o Oscar
Goldman de O Homem de Seis Milhões de Dólares), após
ferir-se gravemente num acidente em seu disco voador, sofre um
doloroso processo de mutação e revela realmente a horrenda forma
dos alienígenas.
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Roddy
McDowall, Suzanne Pleschette, Jack (Havaí 5-0) Lord,
Michael Rennie (o Colecionador de Perdidos no Espaço),
Gene Hackman, Burgess Meredith ( o Pingüim de Batman)
e Edward Asner foram algumas celebridades que participaram de episódios
da série.
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A
música de Os Invasores originalmente foi ouvida
pela primeira vez na série Quinta Dimensão (The Outer Limits), no episódio "The Form of Things Unknown".
Também boa parte da música incidental de Dominic Frontiere para a
série Os Invasores já havia sido ouvida na própria Quinta Dimensão
e Ratos do Deserto
(The Rat Patrol). Todas as
três séries foram produções da Rede ABC, para quem Dominic
Frontiere trabalhava, compondo vários clássicos inesquecíveis.
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Desde
o primeiro episódio, o objetivo dos invasores de frustrar os
planos de David Vincent, que consistia em expô-los ao seu mundo
descrente, é facilmente percebido. Em "Cabeça de Praia",
piloto da série, David Vincent se encontra num local deserto e
abandonado, onde aterrissaou a nave espacial que deu início
ao seu pesadelo. Na localidade, durante a noite em que o ator
testemunha a aterrissagem do disco voador, ele passa de carro por uma
placa que identifica o nome de um bar, "Bud's Diner". Ao
reportar o ocorrido à autoridade policial, precisamente às 6h da manhã daquele mesmo dia e convencê-la a acompanhar-lhe até
o local da aterragem do disco voador, a placa do nome do bar é
completamente mudada para "Kelly's Diner", como bem
observado pelo policial encarregado da diligência. Tal fato traduz
o intuito puro e simples dos invasores de desmoralizarem a estória
de David Vincent, que havia anteriormente reportado àquela
autoridade policial que o nome do bar era "Bud's Diner",
como de fato era antes da mudança proposital. Detalhes como esse
realmente fascinavam os telespectadores e demonstravam o cuidado da
produção televisiva.
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