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OS INVASORES (2)

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Análise

Uma visão sociológica de "Os Invasores"

Apesar de uma ficção, a produção da série não perdeu a oportunidade de enfocar as mazelas da sociedade americana, dando um ar de realismo nas eletrizantes tramas elaboradas em seus episódios. A cada dia, David Vincent visita um estado americano, sempre procurando pelos invasores. Trata-se de um arquiteto "vagabundo", pois nessas viagens, pouco tempo lhe resta para desempenhar sua verdadeira profissão. Na realidade, na obsessão de provar a existência de alienígenas na Terra para um mundo descrente, David Vincent é um solitário, isolacionado da sociedade e também um intruso invasor dos lares de famílias, escritórios militares ou grandes companhias de jornais. Como invasor na vida de muitos, David Vincent não parece atingir o objetivo primeiro, que é o de revelar à humanidade que os invasores já estão entre nós. Mas de certa forma, com a sua presença e as virulentas suspeitas que levanta sobre quem quer que fosse, ele acaba por conscientizar as pessoas de seus próprios problemas e contribui de alguma maneira para que alguém retome o seu rumo, para que alguns poucos envolvidos na trama endireitem suas vidas. Questões de patriotismo, de dever cívico, lealdade familiar e valores pessoais são atingidos dentro de uma atmosfera de paranóia sufocante. Graves erros de julgamento são de repente transformados na vida das pessoas, que aprendem a melhorar, a ser melhores com a mesma velocidade desenvolvida pelo disco voador invasor. Ao longo da série, o próprio David Vincent vivencia uma dualidade. Ele é tido como um lunático para muitos e também se transforma numa celebridade, numa autoridade respeitada em discos voadores para tantos outros. 

Quando os invasores tomam a forma humana, em qualquer tempo ou idade, o disfarce mais comum é o de homens de negócios bem-sucedidos, vestidos conservadoramente de terno e gravata, muitas vezes carregando pastas ou valises, sempre acompanhados de pessoas vestidas igualmente de terno e gravata e dirigindo um imponente Ford Sedan escuro.

A descrição desses invasores é muito parecida com as do fenômeno dos Homens de Preto, que até virou comédia num filme feito para o cinema e faz parte do folclore dos OVNIS que remontam os anos 50. Lendas urbanas dão conta de que as pessoas que reportavam qualquer presença alienígena, ou contato de terceiro grau, eram interrogadas por homens vestidos de terno preto, que representavam misteriosos grupos partidários com um forte interesse em espaçonaves e que desapareciam com a mesma velocidade com que surgiam.

O utilitário utilizado pelos invasores não foi apenas uma obra de ficção do criador Larry Cohen. A nave espacial, que possui uma cabine interna, externamente lembra um chapéu e possui uma base com um hemisfério brilhante. Tal espaçonave corresponde exatamente aos discos que eram descritos pelo guru dos OVNIS, George Adamski, que afirmava veementemente que já havia dado muitas voltas a bordo desses OVNIS, muito antes da sua concepção televisiva na série. 

Não foi apenas uma vez ao longo da trama que os invasores mostraram seres sempre uniformizados, sem  nenhum sentimento ou emoção e que recebiam treinamento através de manipulação, onde eram expostos a motivações e respostas, dentro de um centro de treinamento próprio que se prestava única e exclusivamente para orientá-los sobre o comportamento humano. Tais centros mais pareciam locais de concentração e mostravam com propriedade o mundo como os poderosos e os controladores o querem, homens obedientes e somente expostos a aquilo que os convêm, sem questionamentos e sem levantar dúvidas ou questionamentos sobre isso ou aquilo outro.

Por esses e outros aspectos, Os Invasores se transformou numa série cult dos anos 60 e somente foi finalizada de modo prematuro por causa de uma visão "quadrada", comercial e incompreensível de seus produtores, fato esse que ainda hoje acontece em muitas produções interessantes. As atuais séries de ficção científica parecem preferir vender efeitos especiais e atores medíocres com aparência de bonecos e manequins, a investir em estórias e tramas bem elaboradas, que edifiquem o pensamento humano ou que dramatizem a vida como ela é realmente, sem segredos e mistérios, expondo as mazelas e os problemas sociais vistos sob um prisma filosófico. O medo desses poderosos é realmente justificável, pois a partir do momento em que o homem tiver a sua mente aberta e obtiver uma visão ampla da sua existência, do seu potencial e do seu intelecto, o panorama que aí está irá mudar radicalmente e o mundo poderá finalmente livrar-se do fantasma dos invasores, principalmente dos invasores da mente, aqueles que só objetivam atrofiar o cérebro humano e minar todas as tentativas de fuga para uma dimensão intelectual mais digna e mais compatível com a espécie humana.

No Brasil

Os Invasores chegou a ser exibido pelas TVs Record e Bandeirantes, nos anos 70 e 80. Foi ao ar pela última vez em 1995, pelo canal pago Teleuno. Sediado no México, o canal pertencia ao grupo Spelling Entertainment Inc. e foi vendido em 1998 para a Sony Pictures, dando lugar ao atual AXN. O Teleuno, especializado em filmes, séries e desenhos, felizmente exibiu Os Invasores com a dublagem original brasileira.

Curiosidades

  • Na versão original em inglês, o ator William Conrad foi o narrador invisível da série, pelo menos nos créditos iniciais, como também na maioria das séries produzidas por Quinn Martin.

  • Embora tenha sido uma série antológica com apenas uma estrela principal, o ator Roy Thinnes, muitos outros atores apareceram em mais de um episódio, interpretando diferentes personagens. Num episódio, considerado raro pela época em que foi ao ar, "The Vise" (O Torno), todo o elenco era de atores negros, com exceção de Roy Thinnes e Kent Smith. 

  • A série é bastante cultuada na Europa, mais do que propriamente nos Estados Unidos, possuindo mais fãs na Alemanha e na França. 

  • A aparência original dos alienígenas somente foi revelada uma vez, perto do final da segunda temporada, no episódio chamado "The Enemy" (O Inimigo). Richard Anderson (o Oscar Goldman de O Homem de Seis Milhões de Dólares), após ferir-se gravemente num acidente em seu disco voador, sofre um doloroso processo de mutação e revela realmente a horrenda forma dos alienígenas.

  • Roddy McDowall, Suzanne Pleschette, Jack (Havaí 5-0) Lord, Michael Rennie (o Colecionador de Perdidos no Espaço), Gene Hackman, Burgess Meredith ( o Pingüim de Batman) e Edward Asner foram algumas celebridades que participaram de episódios da série. 

  • A música de Os Invasores originalmente foi ouvida pela primeira vez na série Quinta Dimensão (The Outer Limits), no episódio "The Form of Things Unknown". Também boa parte da música incidental de Dominic Frontiere para a série Os Invasores já havia sido ouvida na própria Quinta Dimensão e Ratos do Deserto (The Rat Patrol). Todas as três séries foram produções da Rede ABC, para quem Dominic Frontiere trabalhava, compondo vários clássicos inesquecíveis. 

  • Desde o primeiro episódio, o objetivo dos invasores de frustrar os planos de David Vincent, que consistia em expô-los ao seu mundo descrente, é facilmente percebido. Em "Cabeça de Praia", piloto da série, David Vincent se encontra num local deserto e abandonado, onde aterrissaou a nave espacial que deu início ao seu pesadelo. Na localidade, durante a noite em que o ator testemunha a aterrissagem do disco voador, ele passa de carro por uma placa que identifica o nome de um bar, "Bud's Diner". Ao reportar o ocorrido à autoridade policial, precisamente às 6h da manhã daquele mesmo dia e convencê-la a acompanhar-lhe até o local da aterragem do disco voador, a placa do nome do bar é completamente mudada para "Kelly's Diner", como bem observado pelo policial encarregado da diligência. Tal fato traduz o intuito puro e simples dos invasores de desmoralizarem a estória de David Vincent, que havia anteriormente reportado àquela autoridade policial que o nome do bar era "Bud's Diner", como de fato era antes da mudança proposital. Detalhes como esse realmente fascinavam os telespectadores e demonstravam o cuidado da produção televisiva.

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