Jornada nas Estrelas

Ficha-Técnica

Título: Jornada nas Estrelas (Star Trek/1966-69/EUA/Cor)
Gênero: Seriado/Ficção Científica
Produtora: Desilu Prod/ Paramount Pictures
Tema Musical: Alexander Courage
Criação: Gene Roddenberry
Elenco: William Shatner, Leonard Nimoy, DeForest Kelley, Grace Lee Whitney, James Doohan, George Takei, Nichelle Nichols, Walter Koenig, Majel Barrett
Formato: Série Original – 79 episódios de 50 min. em 3 temporadas; Série Animada – 22 episódios de 24 min. em 2 temporadas
Dublagem:
» A.I.C./SP – Emerson Camargo [Capitão Kirk {1ª voz}], Dênis Carvalho [Capitão Kirk {2ª voz}], Rebello Neto [Sr. Spock], Neville George [Dr. McCoy], Carlos Campanile [Engenheiro Scott], Helena Samara [Tenente Nyota Uhura], Eleu Salvador [Sr. Sulu], Magda Medeiros [Ordenança Janice {1ª voz}], Áurea Maria [Ordenança Janice {2ª voz}], Gessy Fonseca [Enfermeira Chapel {1ª voz}], Líria Marçal [Enfermeira Chapel {1ª voz}], Antônio Celso [narrador].
» VTI/RJ – Garcia Júnior [Capitão Kirk], Márcio Seixas [Sr. Spock], Newton Valério [Dr. McCoy], Marco Ribeiro [Checov], Lina Hossana [Tenente Nyota Uhura], Cleonir Santos [Sr. Sulu], Ilka Pinheiro [Enfermeira Chapel], Waldyr Sant’anna [Engenheiro Scott], [Ordenança Janice]
Distribuição no Brasil: Brás Continental / VTI
Exibição no Brasil: NBC (EUA), TV Excelsior de São Paulo, Rede Bandeirantes, Rede Manchete, USA (TV Paga), Rede Brasil de Televisão, Rede TV! (atualmente)

Introdução 

Em 1964, o escritor norte-americano Gene Roddenberry (1921-1991) gravou o primeiro episódio-piloto de uma série que se tornaria um clássico e inauguraria uma das mais bem sucedidas franquias do mundo, um verdadeiro ícone da cultura contemporânea: Star Trek, ou Jornada nas Estrelas aqui no Brasil.

Mas o início foi um pouco difícil. Os produtores da rede NBC acharam o episódio-piloto cerebral demais, mas deram a oportunidade raríssima de que Roddenberry promovesse algumas alterações e apresentasse outro piloto, que acabou sendo aprovado.

No dia 8 de Setembro de 1966, o episódio “O Sal da Terra” (The Man Trap) foi ao ar pela NBC, dando início à missão de cinco anos da nave estelar Enterprise, para explorar estranhos novos mundos e novas civilizações, audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve.

Os cinco anos originalmente imaginados por Roddenberry já são 45. E, graças a um “reboot” na franquia de filmes idealizado pelo cineasta J.J. Abrams, não há sinal que a viagem algum dia terminará. Cinco séries de televisão, 11 filmes (com o 12º em pré-produção), uma série animada, muitas convenções, livros, documentários… Tudo leva a crer que o futuro da franquia será longo e próspero.

A Série Original

O fenômeno de Star Trek começou em 1966 com a produção chamada Jornada nas Estrelas – A Série Original. Ambientada no planeta Terra, século 23, ela conta a história de um capitão e sua tripulação durante uma missão de cinco anos a bordo da nave estelar USS Enterprise.

Jornada nas Estrelas é resultado de uma nova concepção de futuro, uma visão otimista do homem e da sua evolução. É um futuro em que o homem, através da história, superou a fome, a ambição, as doenças e, sobretudo, a ideia exagerada de possuir bens materiais, algo que o deixou livre para buscar seu desenvolvimento moral. Em Jornada nas Estrelas, a humanidade explora o Universo à procura de respostas e relações com outras culturas. A imagem predominante é a do progresso, o triunfo do homem, uma imagem que certamente estava em crise em 1966, quando a série foi criada.

A USS Enterprise tem o comando do Capitão James Tiberius Kirk (William Shatner). Entre os principais tripulantes, estão o Sr. Spock (Leonard Nimoy) – um alienígena vulcano de orelhas pontudas – e o médico-responsável Dr. Leonard McCoy (DeForest Kelley, 1920-1999). Este trio é a alma da série, onde ocorrem interessantes discussões entre o emotivo McCoy e o lógico Spock, equilibrados por um capitão que é a soma de suas qualidades. Completando a tripulação, há o engenheiro-chefe escocês Montgomery Scott (James Doohan, 1920-2005) – responsável pelas máquinas da nave -, a oficial de comunicações Tenente Nyota Uhura (a negra Nichelle Nichols), o timoneiro oriental Hikaru Sulu (George Takei) e o jovem navegador russo Pavel Chekov Ensign (Walter Koenig), que é o oficial de navegação da Enterprise. Esta foi uma ousada diversidade étnica, promovida em plena época de Guerra Fria e de conflitos raciais dos anos 1960. Foi a primeira vez que uma série americana incluiu um personagem russo que não fosse inimigo, o que reafirma a ideia de um futuro em que a humanidade está vinculada.

O planeta Terra usufrui a paz e a prosperidade em uma sociedade única, sem fronteiras e de um só governo. Não há mais guerras, racismo ou pobreza. Os terráqueos deveriam agora buscar o desconhecido, como forma de aprimorar ainda mais sua sociedade e seu conhecimento. Com isso, a Terra passou a fazer parte da Federação Unida de Planetas, que mantém um intercâmbio de paz, troca de informações científicas, realizando um comércio de produtos manufaturados e minerais entre os planetas.

O braço militar da federação é a Frota Estelar, com a missão de descobrir novos mundos e novas civilizações. A Frota Estelar é regida por um conjunto de 24 diretrizes. A Primeira – e mais importante – proíbe interferências em outras culturas e no desenvolvimento de qualquer sociedade. A Frota apenas age militarmente em casos onde a defesa é crucial. Sua missão mais importante é manter a paz, mais uma vez, algo que foi muito pregado nos anos 1960, após a Segunda Guerra Mundial.

Os principais inimigos da Federação são superorganizações de escopo semelhante à terrestre. As mais notáveis são os impérios, especialmente o Império Klingon, o Império Romulano e o Império Cardassiano. Normalmente, os conflitos entre a Federação e os impérios têm como foco a importância da democracia sobre a opressão totalitária.

O caráter humanista é uma das principais características da série original de Jornada nas Estrelas, que mesmo repleta de tecnologia futurista, como o teletransporte ou armas “phaser”, seu foco foi, na verdade, os conflitos dos anos 1960, como o racismo ou o movimento Hippie. Disfarçados pela ficção, temas como estes passaram pela censura americana e acabavam sendo captados pelo público, mesmo que lentamente. Inovadora, a produção ousou até mesmo o primeiro beijo inter-racial da tevê. No Brasil, na década de 1960, a mini-saia da Tenente Uhura fez com que a Censura Federal só liberasse a exibição de Jornada nas Estrelas para após as 23h.

Apesar de todo o sucesso que a série iria obter ao longo dos anos seguintes, Jornada nas Estrelas não agradou ao grande público americano em sua estreia. Inclusive, segundo uma lenda, o pai do produtor Gene Roddenberry pediu desculpas a alguns de seus vizinhos pelo fracasso da série. Mas um público fiel deu a audiência necessária para a produção de duas temporadas, além de uma terceira e derradeira em 1969, que só aconteceu devido pelos esforços iniciais do casal “trekker” John e Bjo Trimble, que organizaram uma campanha popular para salvar a série, com o apoio do próprio Gene Roddenberry. A NBC recebeu milhares de cartas e deixou os executivos impressionados.

Durante os anos 1970, enquanto emissoras locais americanas promoviam sucessivas reprises de Jornada nas Estrelas (tipo de exibição conhecida por “syndication”), o instituto medidor da audiência americana alterou sua metodologia de apuração e descobriu que a série realmente não tinha uma audiência estupenda, mas atingia exatamente o público que a rede NBC queria – jovens adultos do sexo masculino, com bom poder aquisitivo. Em meio a diversas convenções organizadas por fãs, verificou-se que a série havia virado mania e a produtora Paramount, que considerou o cancelamento de Jornada nas Estrelas como um erro, partiu para novas produções da franquia. A retomada da produção da série era inviável e fazer uma versão animada pareceu a melhor solução para Gene Roddenbery (veja abaixo).

Gene Roddenberry e a Concepção de Jornada nas Estrelas

Eugene Gene Wesley Roddenberry foi um grande diretor e produtor norte-americano. Ele nasceu em 1921, no Texas, mas passou sua infância e juventude em Los Angeles, onde estudou na academia por três anos e entrou para a polícia.

Depois, passou a se interessar pela engenharia aeronáutica e obteve a sua licença como piloto. Inscreveu-se como voluntário no Corpo de Aviação do Exército dos Estados Unidos, realizando seu treinamento como cadete. Lutou pelo seu país na Segunda Guerra Mundial e recebeu condecorações por isso.

Sua vida de escritor começou quando ele se encontrava ainda no Pacífico Sul e passou a vender seus artigos para as revistas especializadas em aviação. Mais tarde, chegou até a escrever poesias que chegaram a serem publicadas no jornal New York Times. Quando a Guerra terminou, foi piloto da Pan American World Airways e também foi estudar literatura na Universidade da Columbia.

Gene Roddenberry via a televisão com um grande futuro para a sociedade do século XX e, por conta disso, deixou a vida de piloto, mudando-se para Hollywood, onde começou a trabalhar como policial da Califórnia.

Lá, passou a vender roteiros para as séries como Goodyear Theatre, The Kaiser Aluminium Hour, Four Star Theater, Dragnet, The Jane Wyman Theater, Cidade Nua, entre outras. Mas, seu trabalho começou a ficar mais conhecido ao escrever os roteiros para a série O Paladino do Oeste. A partir de então, deixou a polícia e se dedicou apenas aos roteiros e criação de novas séries.

Nesta época que trabalhou como roteirista, conheceu alguns atores que posteriormente encabeçariam a série Jornada nas Estrelas, entre eles, DeForest Kelley, que na época era protagonista do episódio-piloto de 333 Montgomery Street, uma série dramática protagonizada por um advogado.

Gene também conseguiu vender a série The Lieutenant (O Tenente), que foi protagonizada por Gary Lockwood, como um tenente da marinha. Esta série, produzida pela MGM, não passou da primeira temporada, mas ajudou Gene a conhecer e ficar amigo de outros atores que abrilhantariam Jornada nas Estrelas. Entre eles estavam Leonard Nimoy, Nichele Nichols e Edward Milkis.

Com o fracasso de The Lieutenant, Gene criou mais outros três episódios-pilotos de séries e os apresentou a três diferentes produtoras. Uma dessas séries se chamaria Police Story, a outra Lost Hunt of April Savage, que era um western convencional, e “The Cage”, o piloto de Jornada nas Estrelas, que Gene já trabalhava mentalmente há anos.

Em 11 de março de 1964, Gene apresentou à MGM um documento de 16 páginas explicando exatamente o que ele queria dizer com “Star Trek”. Gene queria concorrer com os seriados Buck Rogers e Flash Gordon, que eram as grandes vedetes da ficção da época.

O conceito de tripulações viajando em naves espaciais e explorando novos mundos era tão velho quanto Flash Gordon, não havendo nada de inovador. O grande diferencial que Roddenberry enfatizou ao longo de todo o documento é que ele prometia criar uma série de ficção científica séria e recheada de efeitos especiais a um custo aceitável. O ponto-chave seria aderir ao conceito de mundos paralelos, ou seja, mundos onde as civilizações não são tão diferentes da nossa, assim tornando a produção mais viável pelo uso de elencos, cenários, locações e figurinos terrestres disponíveis.

Tudo isso impressionou os executivos da MGM, mas tudo pareceu inovador demais e decidiu-se que era melhor não arriscar.

Gene não desistiu e procurou outro estúdio que se interessasse em produzir a série. A Fox o recebeu bem e deu espaço para o escritor apresentar seu projeto. Os executivos revelaram que a Fox não estava interessada em produzir Jornada nas Estrelas, mas deram espaço ao escritor pois queriam ouvir o que ele sabia sobre ficção científica, a fim de aplicar o conhecimento em um novo programa do estúdio, a série Perdidos no Espaço.

Mesmo furioso com a situação, Gene continuou procurando um estúdio e encontrou o Desilu, que ficou muito famoso com a produção da série I Love Lucy, sucesso total nos EUA. Nesta época em que Roddenberry procurou o estúdio, havia iniciado um processo de decadência, já que I Love Lucy já havia saído do ar. Mesmo assim, o Desilu ainda tinha a esperança de se reerguer e a proposta de Roddenberry de criar uma série de ficção revolucionária e barata foi aceita.

O próximo passo era conseguir alguém que financiasse a série e comprasse os direitos de exibição. Na época, as grandes redes de tevê americanas eram apenas três: ABC, CBS e NBC. Após ouvir um “não” da CBS, Gene conseguiu que a NBC assumisse o risco de encomendar um piloto ao Desilu. Isso pelo fato de que a rede começava a transmitir em cores (technicolor) e apostou que Jornada nas Estrelas poderia ser uma boa vitrine para divulgação, com mundos e alienígenas exóticos e, de preferência, bem coloridos.

Com 20 mil dólares em mãos, Gene deveria desenvolver três histórias para que os executivos escolhessem uma para ser o episódio-piloto da série. A escolhida foi “The Cage” (A Jaula) e a NBC forneceu a Roddenberry e ao Desilu a generosa quantia de 435 mil dólares para a construção dos cenários, contratação dos atores e a produção do que seria o piloto mais ambicioso da história da ficção científica na televisão. “The Cage” foi protagonizado pelo ator Jeffrey Hunter, no papel de Capitão Christopher Pike, que comandou a nave Enterprise.

The Cage: Jeffrey Hunter (e) e Leonard Nimoy

Mas, o piloto de Jornada nas Estrelas foi dado como “muito cerebral”, ou seja, muito difícil de ser compreendido e não foi aceito. Por outro lado, a NBC encomendou um segundo piloto, numa decisão até então inédita na história da televisão. Foram feitas duas exigências principais: que Gene tirasse a “Número Um”, segunda em comando na nave; e eliminassem o personagem Spock, pois ele tinha um ar “demoníaco”. Gene concordou com a primeira exigência, pois achava que os espectadores realmente ainda não estavam preparados para ver uma mulher em posição de comando (mas a atriz permaneceu, no papel da enfermeira Chapel). Entretanto, não concordou com a retirada de Spock.

Determinado a defender a permanência do único alienígena a bordo da Enterprise, Gene Roddenberry teve várias discussões com os executivos da NBC, que acabaram convencidos por ele. Mas exigiram que Spock não ficasse muito em evidência na série. No entanto, com o passar do tempo, Spock tornou-se muito popular entre os fãs, e os mesmos executivos passaram a cobrar maior participação de Spock nos episódios.

Com a produção de um segundo piloto assegurada pelo Desilu, somando os 500 mil dólares recebidos pelo primeiro piloto e um segundo comissionamento vindo da própria NBC, foi possível criar um segundo e sem precedente episódio-piloto, que foi batizado de “Where No Man Has Gone Before” (Onde Nenhum Homem Jamais Esteve). Roddenberry reformou parcialmente os roteiros, introduziu algo mais juvenil e substituiu o ator Jeffrey Hunter por William Shatner. Hunter viria a morrer em 27 de maio de 1969, quase na mesma época do cancelamento da série.

O segundo piloto foi enviado aos executivos da NBC, em Nova York. Depois de semanas de espera angustiante, a resposta chegou em fevereiro de 1966: o piloto fora aprovado e o primeiro episódio da série Jornada nas Estrelas deveria ir ao ar em setembro daquele ano.

Imediatamente, os estúdios Desilu convocaram Gene Roddenberry para começar a produção. O primeiro episódio a ir ao ar nos EUA foi “The Man Trap” (O Sal da Terra), em 8 de setembro de 1966, embora não tivesse sido o primeiro a ser produzido. Já o episódio-piloto aprovado, “Where No Man Has Gone Before”, acabou sendo exibido como o terceiro episódio da série.

Vale dizer que grande parte das cenas do primeiro episódio-piloto foram aproveitadas no episódio duplo “The Menagerie” (A Coleção). “The Cage” nunca foi exibido na íntegra mas, atualmente ele pode ser visto como extra dos DVDs de Jornada nas Estrelas lançados pela Paramount no Brasil.

Gene Roddenberry se casou por duas vezes e teve três filhos. Com Eileen Rexroat ficou casado durante 27 anos e com ela teve duas filhas, Dawn e Darlene. Também nos anos 1960, durante as filmagens de Jornada nas Estrelas, se envolveu com a atriz Nichelle Nichols e com a atriz Majel Barret, que também participou de vários episódios da série.

Gene se divorciou de Eileen e se casou no Japão, numa cerimônia xintoista tradicional com Majel, no dia 6 de agosto de 1969 e juntos tiveram um filho.

Depois de Star Trek, Gene começou a trabalhar em outros projetos pela MGM e começou a trabalhar no roteiro do filme “Pretty Maids All in a Row”, adaptado de uma obra de Francis Pollini e que teve a direção de Roger Vadim.

O elenco incluía grandes nomes como Rock Hudson, Angie Dickinson, Telly Savalas, Roddy McDowal e também a participação de James Doohan e William Campbell. Apesar de todo empenho de Roddenberry, o filme não fez sucesso e isto acabou esfriando sua convivência com a MGM, apesar dele continuar lá até 1972.

Mais tarde, Roddenberry começou a enfrentar sérios problemas e cada vez mais o seu trabalho na televisão foi minguando, ameaçando até o fechamento da Norway Corporation. Seguindo o conselho de um velho amigo, o autor Arthur C. Clarke, Gene começou a fazer palestras em faculdades, onde outros artistas também encontraram sucesso como William Shatner e Timothy Leary. Ele divertia a platéia contando anedotas e curiosidades sobre Jornadas nas Estrelas.

A Série Animada

Em 1973, o escritor e criador de Jornada nas Estrelas, Gene Roddenberry, participou como consultor executivo para a série animada de Jornada nas Estrelas, que estreou em 8 de setembro do mesmo ano.

Jornada nas Estrelas – A Série Animada foi produzida pelos estúdios Filmation e trouxe praticamente os mesmos personagens da série original.

A Série Animada foi tida como uma continuação da Série Original, algo como uma quarta temporada. Por isso, a produção não foi chamada apenas de “desenho”, mas de “série animada”.

A primeira temporada estreou na manhã de 8 de setembro de 1973, também pela NBC, sete anos após a estreia da Série Original. Foram produzidos inicialmente 16 episódios; já a segunda temporada contou apenas com seis episódios, apesar do sucesso de crítica.

Alguns dos episódios mais populares da Série Original foram recontados e novos personagens introduzidos. Fato marcante foi que os personagens principais foram dublados pelos próprios atores da série original. Inicialmente, a Filmation iria utilizar apenas as vozes de William Shatner, Leonard Nimoy, DeForest Kelley, James Doohan e Majel Barrett. Entretanto, Nimoy só aceitou sua participação sob a condição de que Nichelle Nichols e George Takei também participassem, justificando que seus personagens eram essenciais para a série, por mostrarem a diversidade étnica do século XXIII.

Apenas o ator Walter Koenig – e seu personagem Pavel Chekov – ficou de fora da série animada, já que o orçamento era limitado para pagá-lo. Em substituição a Checov, outros personagens alienígenas foram criados: o endosiano Tenente Alex e a caitiana Tenente M’Ress.

Os atores da Série Original James Doohan e Majel Barrett, além de dublarem o engenheiro-chefe Scotty e a enfermeira Chapel, respectivamente, também foram responsáveis pelas vozes de vários outros personagens da Série Animada, principalmente os semi-regulares.

Muitos dos roteiristas da Série Original puderam retornar ao mundo de Star Trek. O próprio ator Walter Koenig, acabou escrevendo o roteiro do episódio “The Infinitive Vulcan”. Na Série Animada, os roteiros puderam ser muito mais criativos, já que na Série Original muitas estórias não puderam ser filmadas com atores reais por causa dos recursos escassos.

Os artistas da Filmation também puderam criar cenários mais amplos, tanto dentro da nave quanto nos diversos planetas visitados pela tripulação. Mais cenas da Enterprise, em batalha ou orbitando planetas, também foram feitas. Ainda assim, mesmo com toda essa liberdade de criação, houve a preocupação em manter o estilo da Série Original.

Os recursos, ao contrário do que se possa pensar, também eram limitados na produção da Série Animada. Dessa forma, algumas pequenas adaptações foram feitas, sendo que a mais conhecida delas foi a criação do “cinto de suporte de vida”, substituindo os trajes espaciais utilizados em planetas com atmosfera inapropriada à vida humana. Mas acabaram sendo encarados como mais uma inovação tecnológica de Jornada nas Estrelas.

A Série Animada de Jornada nas Estrelas foi ao ar nos EUA, originalmente, durante os sábados de manhã, horário tradicional das emissoras chamado “Saturday Morning”, que exibia apenas desenhos animados. Ela tentou atingir não apenas as crianças, mas também os jovens e até mesmo os adultos que eram fãs da Série Original. Os roteiros apresentaram enredos mais elaborados e a produção também era mais detalhada, fazendo com que o programa se sobressaísse em relação aos demais exibidos na mesma época. E, justamente por isso, acabou não conquistando o público infantil.

Por outro lado, ao final da primeira temporada, toda essa elaborada produção rendeu a Jornada nas Estrelas – A Série Animada o prêmio Emmy de “Melhor Programa Infantil” em 1973, o primeiro da franquia. Com isso, a NBC encomendou mais seis episódios para serem exibidos em 1974, mas que ficaram sendo os únicos da segunda temporada, já que os índices de audiência estavam relativamente baixos. Entretanto, a série ainda continuou a ser reprisada por alguns anos nos EUA.

A Rede Globo foi a responsável por exibir a Série Animada de Jornada nas Estrelas no Brasil. A atração fazia parte do programa “Globo Cor Especial”, que a emissora exibiu em meados dos anos 1970. Após sua saída do programa, os brasileiros só poderiam rever a Série Animada em 2006, com seu lançamento em DVD, que atualmente encontra-se esgotado.

O sucesso da animação convenceu Gene Roddenberry da longevidade de Star Trek e lançou quatro conceitos em “sci-fi” para a televisão. Episódios-pilotos foram produzidos, mas as séries não chegaram a ser concretizadas: “The Questor Tapes”, “Genesis II”, “Planet Earth” e “Strange New World”.

Longas e Novas Séries

Após o fim de Jornada nas Estrelas: A Série Animada, os fãs já desejavam uma nova produção. O sucesso continuava crescendo em todo o mundo e o interesse em explorá-lo era enorme.

No final da década de 1970, a Paramount solicitou a Roddenberry para desenvolver uma sequência de Star Trek, incluindo estrelas do elenco original e que poderia ser a chamada de “Jornada nas Estrelas – Fase II”. Esta série era para ser um novo espetáculo de televisão, inclusive com o retorno de Leonard Nimoy (Spock), que representaria outros papéis junto aos novos personagens, como o Tenente Xon, que ocuparia o lugar de Spock, como primeiro oficial Willard Decker e a navegadora Tenente Ilia.

Cena do longa “Star Trek V: A Última Fronteira” (1989)

Quando quase todos os cenários e o vestuário já estavam prontos, a Paramount resolveu abandonar os planos, devido à chegada e sucesso do filme “Star Wars” (Guerra nas Estrelas), de George Lucas. Isso o levou a converter a nova série no filme “Jornada nas Estrelas: O Filme” (1979), onde Gene atuou como produtor executivo. O sucesso de bilheteria foi excelente e, em seguida, vieram outros filmes de boa bilheteria, como “Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan” (1982), “Jornada nas Estrelas III: À Procura de Spock” (1984) e “Jornada nas Estrelas IV: A Volta Para Casa” (1986) e “Star Trek V: A Última Fronteira” (1989).

Em 1987, para aproveitar a comemoração dos 20 anos da Série Original, Gene se envolveu profundamente na criação e produção de um nova série de televisão da franquia “Star Trek”, entitulada Jornada nas Estrelas: A Nova Geração (Paramount). A tripulação, totalmente reformulada, foi composta pelo capitão Jean-Luc Picard (Patrick Stewart), o primeiro-oficial William Riker (Jonathan Frakes) e o andróide Data (Brent Spiner). As missões se passaram em uma nova Enterprise, um século depois das viagens de Capitão Kirk e cia. Com modernos efeitos especiais, “A Nova Geração” amadureceu as ideias da Série Original e também se tornou em um enorme sucesso.

Em 1988, a WGA impediu Gene Roddenberry de levar ativamente sua participação na produção da segunda temporada da “Nova Geração” e forçado a passar o controle da série para o produtor Maurice Hurley. Embora Roddenberry trabalhasse livremente para a terceira temporada, a sua saúde começou a deteriorar a ponto de gradualmente passar suas funções para Rick Berman e Michael Piller.

A Morte de Roddenberry

Em 1985, Gene Roddenberry obteve a maior glória para uma personalidade do mundo do entretenimento norte-americano, quando seu nome foi colocado na célebre Hollywood Walk of Fame (Calçada da Fama de Hollywood), sendo o primeiro roteirista a ser logrado com tal distinção.

No dia 24 de outubro de 1991, Roddenberry morre e deixa a esposa Majel Barret, que interpretou a enfermeira Chapel na série Jornada nas Estrelas original e seus filhos Gene Roddenberry Jr, mais duas filhas do primeiro casamento e dois netos. O filme “Star Trek VI: The World Undiscovered” foi dedicado à memória de Roddenberry e segundo alguns autores, Gene ainda conseguiu ver uma versão do filme alguns dias antes de sua morte, aos 70 anos de idade.

Gene Roddenberry deixou de legado, além de Star Trek, as continuações de novas séries de aventuras como Star Trek: Enterprise (2001), Star Trek: Deep Space 9 (1993), entre outras, além de criações como Andromeda e A Terra: Conflito Final.

Roddenberry é creditado como criador de todos os episódios das séries “Star Trek” “A Nova Geração”, “Deep Space 9″ , “Voyager”, “Enterprise”, além de todos os filmes e a maior parte dos videogames como “Star Trek: Elite Force II” e “Star Trek: Bridge: Comander”.

Gene Roddenbery foi uma das primeiras 24 pessoas, todas elas norte-americanas, cujas cinzas foram sepultadas no espaço.

Os Estúdios Desilu

O Desilu foi fundado em 1950, a partir do Culver Studios, comprados pelo casal Desi e Lucille, estrelas da série I Love Lucy. O nome do estúdio fazia referência ao casal de proprietários. Desi foi presidente do Desilu até 1962, quando a presidência foi assumida pela vice-presidente Lucille, que se tornou em uma das pessoas mais poderosas do show business.

Em 1957, o casal comprou também os estúdios RKO, onde aliás Lucille havia trabalhado cerca de 20 anos. O Desilu se mostrou extremamente produtivo, sendo responsável por I Love Lucy, e mais tarde, por diversas outras séries e telefilmes. Tanto Desi quanto Lucille eram excelentes administradores.

Mesmo após se divorciarem, o casal manteve a sociedade no estúdio. Mas, em 1962, Desi estava entregue à bebida e prejuízos começaram a surgir. Assim, Lucille pressionou o ex-marido a parar de beber, mas, sem sucesso, afastou Desi do cargo de presidente e comprou sua parte.

Apesar de sua saída, Desi continuou a atuar como conselheiro de Lucille Ball, mesmo que de maneira extra-oficial. Ela assumiu os estúdios, decidida a voltar a ter lucro, o que conseguiu.

Na época da venda, o Desilu era responsável por séries como The Lucy Show, Meus Três Filhos, Ben Casey, Ponto Crítico, Lassie, O Show de Andy Griffith, O Show de Danny Thomas, Meu Marciano Favorito, Os Verdadeiros McCoys, Minha Boneca Viva, Dick Van Dyke Show e Os Intocáveis. Esta última foi cancelada por Lucille assim que assumiu o estúdio, pois a atriz era contra a exibição de programas violentos.

Mais tarde, os estúdios Desilu ainda viriam a produzir outras séries de sucesso como Missão: Impossível e Jornada nas Estrelas, porém com orçamentos bem modestos.

Lucille era uma comediante excelente, porém, sozinha, não conseguiu administrar a presidência do Desilu, que contava enormes prejuízos. Assim, em julho de 1967, ela vendeu o Desilu por 17 milhões de dólares para a empresa Gulf & Western, que mais tarde seria incorporada pela Paramount.

O caos administrativo do Desilu gerou outras consequências: a empresa não possuía uma distribuidora estável, portanto, todas as suas produções foram entregues a pequenas distribuidoras. No Brasil, a maior delas foi a Brás Continental.

A Distribuição dos Programas da Paramount no Brasil

Embora a Paramount fosse a proprietária oficial de todo o acervo do Desilu desde 1967, não houve a preocupação de checar a qualidade de suas distribuidoras e, principalmente, cancelar contratos, uma vez que, nos anos 1990, a Paramount foi comprada pela Viacom, que se tornou sua distribuidora oficial. Como não havia intenção em pagar rescisões, a Paramount preferiu esperar o fim dos contratos de exibição das séries para cancelar os contratos, algo que levou alguns anos.

A Viacom também adquiriu a rede CBS, e, atualmente, seu “braço” que comercializa produtos para tevê chama-se CBS-Paramount Television. Hoje, todo material produzido pela CBS, como Havaí 5-0, por exemplo, tem a distribuição na tevê e em DVD pela Paramount.

No Brasil, as cores chegaram em 1972 e a Brás Continental, durante as décadas de 1970/80, só conseguiu distribuir as duas séries de maior sucesso do Desilu justamente por serem coloridas: Missão: Impossível e Jornada nas Estrelas. Alem disso, a Paramount não tinha ainda grande interesse pelo mercado televisivo.

No início da década de 1980, com o sucesso dos filmes de Jornada nas Estrelas para o cinema, os estúdios Paramount começaram a produzir a série para a televisão MacGyver (Profissão: Perigo). Porém, a distribuidora Brás Continental encerrou suas atividades por falta de recursos, já que as duas séries que garantiam o seu sustento não estavam mais no ar no Brasil.

Todo o acervo dublado do Desilu já estava em péssimas condições de áudio e a Brás Continental, não tendo mais nenhuma relação com a Paramount, literalmente apagou todos os poucos áudios que sobraram e desapareceu do mercado sem deixar rastros.

Uma das provas vivas desse fato ocorreu logo após o fechamento da distribuidora brasileira. A Rede Globo, devido ao sucesso do filme “Os Intocáveis” (1987), com Kevin Costner, resolveu exibir alguns episódios da série original. Sem a dublagem disponível, a própria emissora redublou alguns episódios, com direito ao apresentador Celso Freitas (atualmente na Rede Record) fazendo narração.

O problema da falta das dublagens retornou com grande força, em 1990, quando a extinta Rede Manchete quis reexibir Jornada nas Estrelas – A Série Original. A Paramount teve partir para a redublagem e encomendou o trabalho ao estúdio carioca VTI, que com uma crise financeira, conseguiu redublar apenas as duas primeiras temporadas. A terceira temporada só foi redublada no final da década de 1990, quando o já extinto canal de TV por assinatura USA (atual Universal) quis reprisar toda a série. Porém, apenas o dublador Márcio Seixas, que fez o Sr. Spock na redublagem da VTI, fez parte do elenco da terceira temporada.

Atualmente, circulam entre fãs algumas cópias de episódios de Jornada nas Estrelas com dublagens originais, que também podem ser vistas no site You Tube. Elas foram gravadas em VHS durante os anos de 1982/83, quando a Rede Bandeirantes exibiu, pela última vez, Jornada nas Estrelas – A Série Original com a primeira dublagem.

Dublagem da Série Clássica

Jornadas nas Estrelas chegou ao Brasil em 1967 para ser exibida na programação noturna da já extinta TV Excelsior – Canal 9 de São Paulo. A dublagem ficou a cargo do estúdio A.I.C. (Arte Industrial Cinematográfica), atual BKS, localizado no bairro paulistano da Lapa e responsável pela dublagem de outros grandes seriados dos anos 1960, como Viagem ao Fundo do Mar, Perdidos no Espaço e Bonanza.

A A.I.C. marcou a “era de ouro” da dublagem nacional, período assim conhecido em virtude da alta qualidade dos profissionais envolvidos, seja pelas suas vozes ou pela interpretação.

A tradução dos primeiros episódios de Jornada nas Estrelas – A Série Original coube a Emerson Camargo, que adaptou para a língua portuguesa as palavras que não possuíam um correspondente equivalente. Assim, a expressão “dobra espacial” se encaixou perfeitamente aos lábios dos atores para a sincronia.

Fachada do estúdio de dublagem AIC, nos anos 1970

Emerson Camargo também foi o primeiro diretor de dublagem da série, responsável por escalar o elenco de dubladores. Para dublar o papel principal, ele mesmo se escalou e, assim, emprestou sua voz ao ator William Shatner. Mas Camargo, que já havia dublado o National Kid, acabou saindo da A.I.C. ainda durante as dublagens da primeira temporada.

A segunda voz brasileira de William Shatner ficou a cargo de Dênis Carvalho, que posteriormente se tornaria ator de novelas da Rede Globo, emissora onde atualmente dirige e produz. Ainda na primeira dublagem da série, o Capitão Kirk chegou a ter uma terceira voz, a de Astrogildo Filho.

Emerson Camargo, que hoje é dono do estúdio Mastersound, deu ao Capitão Kirk uma voz suave e tranquila. Dênis Carvalho foi quem mais se aproximou do tom seco e autoritário que Shatner possuía quando jovem. Carvalho não ficou muitos anos na dublagem, mas chegou a ter outro importante papel, já que fez a primeira voz brasileira de Roger “Race” Bannon, do desenho Jonny Quest. Por fim, Astrogildo Filho, que já tinha dublado o Prof. Robinson de Perdidos no Espaço, já falecido, possuía uma voz mais empostada, ficando famoso por não conseguir pronunciar corretamente a palavra “Klingon” (saía “Klincon”, “Klincun”, tudo menos o correto), mas foi quem mais dublou o personagem.

O Sr. Spock teve duas vozes, sendo que a primeira foi a do também falecido Rebello Neto (a segunda voz do Prof. Robinson de Perdidos no Espaço), que dotou o personagem de uma frieza e interpretação excepcional, permanecendo no posto por duas temporadas. Na temporada seguinte, Neto foi substituído por Turíbio Ruiz, que também foi ator de novelas e ficou muito conhecido por interpretar “Seo Alfredo”, nos antigos comerciais do papel higiênico Neve.

O Dr. McCoy, chamado carinhosamente pelo Capitão Kirk de “Magro” (Bones no original), foi dublado inicialmente por Neville George que, com seu tom suave, conseguiu reproduzir no médico da nave um forte sotaque de interior (no original o sotaque era da Georgia). Destaca-se que o dublador era representante comercial, sendo descoberto nos estúdios de dublagem e passando a falar por vários personagens famosos, como Doug Phillips de O Túnel do Tempo. Faleceu em 2003, quando atuava como o primeiro locutor oficial da Rede TV.

A voz da Tenente Uhura era de Helena Samara, que também dublou a inesquecível atriz Agnes Moorehead em A Feiticeira, fazendo o papel de Endora. Esta veterana dubladora acentuou ainda mais a interpretação original da atriz ao “emprestar” sua bela voz para “abrir e fechar frequências”. Sâmara faleceu em 2007.

Carlos Campanile (a voz de Tony Newman de O Túnel do Tempo) foi responsável pela voz do Sr. Scotty, o qual, em início de carreira e em sua melhor fase (e/ou com boa direção), procurou ressaltar o humor e a eficiência do personagem.

Eleu Salvador dublou o Sr. Sulu (a voz do Dr. Brown nos filmes “De Volta para o Futuro”), conseguindo reproduzir o tom grave original do ator e aumentando seu humor em certas situações. Também faleceu em 2007.

O Alferes Checov foi dublado por Olney Cazarré (a voz de James Stephens/Dick York de A Feiticeira). O falecido ator é muito lembrado pelo grande público como o aluno Paulistão (e torcedor do Corinthians) da primeira fase do programa global “Escolinha do Professor Raimundo”. Sua bela voz realçou a juventude e vitalidade de Checov.

Para a narração da abertura da série, foi escolhido um locutor da antiga Rádio Excelsior de São Paulo, Antônio Celso, apresentador do marcante programa “A Máquina do Som”. No original americano, a abertura de Jornada nas Estrelas é narrada pelo próprio Capitão Kirk.

Ao decorrer das dublagens, alguns ajustes de tradução foram sendo realizados, como “fator de torção” substituído para “fator de dobra”, “defasadores” para “feisers”, “triregistro” para “tricorder”.

Redublagem da Série Clássica

A redublagem das duas primeiras temporadas da Série Original de Jornada nas Estrelas foi realizada pelo estúdio carioca VTI. O trabalho demonstrou preocupação em tentar evitar os erros cometidos na dublagem original foram revistos, tais como o texto de abertura lido pelo Capitão Kirk, as vozes femininas dos talasianos (em “A Coleção”), a troca de expressões típicas dos anos 1960 e a recuperação dos sotaques de Scotty e Checov. Para isso, contou-se com uma assessoria do Jetcom, grupo carioca de fãs da série (trekkers) e com a conscientização dos dubladores sobre a importância de Jornada nas Estrelas para o público.

O dublador Márcio Seixas

O trio central de vozes foi formado por Garcia Júnior (a voz de McGyver e He-Man), Márcio Seixas (a voz do Homem-Pássaro, Sr. Incrível) e Newton Valério (a voz de Zorro/Guy Williams), respectivamente, Kirk, Spock e McCoy. O trio apresentou uma grande interação entre si, representada nas “brigas” de Spock e McCoy e na excelente interpretação de Garcia Júnior. O restante dos tripulantes foi muito bem defendido com um divertido Checov, graças ao talento de Marco Ribeiro (a voz do Máskara/desenho e filme), a bela voz de Lina Hossana (a Dra. Lewis de Plantão Médico) pela Tenente Uhura e Cleonir Santos (a eterna voz do Speed Racer, dublagem original) como Sulu, o qual reproduziu o timbre grave de George Takei. A Enfermeira Chapel foi dublada por Ilka Pinheiro (a voz da Mulher-Maravilha do desenho dos Superamigos e diretora de dublagem da série), emprestando sua cortante voz a personagem. Outro a ser ressaltado é o experiente Waldyr Sant’anna, que deu um sotaque diferenciado ao Sr. Scotty, graças à assessoria do Jetcom.

Remasterização da Série Original

Comparação de cena original (acima) com cena recriada em computação gráfica

Sendo a franquia mais rentável da Paramount, é natural que o estúdio direcione investimentos em Jornada nas Estrelas. O primeiro passo foi, em comemoração aos 40 anos da Série Clássica, lançar o projeto de remasterização em alta definição dos episódios, incluindo a substituição dos efeitos visuais originais por novos, feitos em computação gráfica. As quatro décadas de idade do material haviam deixado marcas nas tomadas de efeitos, onde se nota sujeiras, arranhões e recortes, em muitos casos inerentes aos negativos originais. Se esse problema já era claramente perceptível em resolução “standard”, em alta definição ele revelou ser simplesmente catastrófico. Muitos fãs criticaram a Paramount, mas é fato que as cenas refeitas buscaram respeitar a planificação, tempo (tanto que a duração de cada episódio permaneceu a mesma) e, muitas vezes, até o mesmo ângulo de câmera (porém não mais estática) das originais.

Em momentos combinando efeitos e cenas com atores, até mesmo a granulação da película original foi simulada. A preocupação foi corrigir os defeitos e melhorar as sequências, do modo menos intrusivo possível e sem alterar o sentido da trama. Como resultado, a Enterprise, outras naves (algumas que eram apenas citadas na versão original agora aparecem na tela), os planetas e paisagens estão muito mais detalhados, animados e bonitos.

Depois de 16 anos, a série clássica voltou à televisão americana, para exibir alguns episódios remasterizados. As exibições se iniciaram em 16 de setembro de 2006 e foram ao ar em mais de 200 emissoras, pelo sistema “syndication” (venda de episódios para emissoras locais, sem rede nacional). A primeira temporada remasterizada foi lançada mundialmente em DVD no mês abril de 2009, pela Paramount.

O famoso tema de abertura — do premiado Alexander Courage — também foi refeito em um estúdio de altíssima qualidade. A grande novidade foi a inclusão de uma voz feminina no tema, acompanhada por uma orquestra. A clássica narração do ator William Shatner, que começa com “Space, the final frontier…”, foi remasterizada e também abre cada episódio da série remasterizada.

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O autor e compilador desta matéria é Maurício Viel. Escreva para nós e faça seus comentários.

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Comentários

  1. Ricardo disse:

    Excelente artigo. Um trabalho de pesquisa muito bem elaborado. Parabéns

  2. boa pesquisa meu visinho é carlos canpanilli

  3. Otima pesquisa aos demais qué qué queira um dia.