Missão: Impossível

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Ficha-Técnica

Título: Missão: Impossível (Mission: Impossible/1966-73/EUA/Cor)
Criação: Bruce Geller
Produtor Executivo: Bruce Geller
Elenco: Steven Hill (como Dan Briggs na 1ª Temp.), Peter Graves (como Jim Phelps nas temp. 2 a 7), Barbara Bain (como Cinnamon Carter até a 3ª Temp.), Martin Landau (como Rollin Hand, até a 3ª Temp.), Greg Morris (como Barney Collier), Peter Lupus (como Willy Armitage), Leonard Nimoy (como The Great Paris, nas temp. 4 e 5), Lesley Ann Warren (como Dana Lambert, na 5ª Temp.), Lynda Day George (como Lisa Casey, na 6ª e 7ª Temp.), Bob Johnson (a voz das fitas-cassetes), Lee Meriwether (como Tracey, na 4ª Temp.), Sam Elliott (como Dr. Doug Lane, na 5ª Temp. e no ep. 129) e Barbara Anderson (como Mimi Davis, na 7ª Temp.)
Música-Tema: Boris “Lalo” Schifrin
Prêmios:
1ª Temp. – 4 Emmy: Melhor Série Dramática, Melhor Atriz (Barbara Bain), Melhor Script (Bruce Geller no episódio-piloto), Melhor Edição (episódio “O Trem); 2 Grammy: Lalo Schifrin; 2 Globo de Ouro: Melhor Série, Melhor Ator de Televisão (Martin Landau)
2ª Temp. – 2 Emmy: Melhor Atriz (Barbara Bain), Melhor Produtor (Joseph Gantman)
3ª Temp. – 2 Emmy: Melhor Atriz (Barbara Bain), Melhor Direção de Arte (episódio “A Casamata – Partes 1 e 2)
4ª Temp. – 1 Emmy: Melhor Som (episódio “O Submarino”); 1 Globo de Ouro: Melhor Ator (Peter Graves)
5ª Temp. – 1 Emmy: Melhor Maquiagem (Bob Dawn no episódio “O Cadafalso”)
Produtora: Desilu (3 primeiras temporadas – 1966/68); Paramount Pictures (4 últimas temporadas – 1969/73)
Formato: 171 episódios de 50 minutos em 7 temporadas
Distribuição Original no Brasil: Brás Continental
Dublagem: 1ª a 3ª temporadas: Companhia Arte Industrial Cinematográfica – São Paulo (AIC), com Wilson Ribeiro (Dan Briggs), Carlos Alberto Vaccari (Jim Phelps), Helena Samara (Cinnamon Carter), Rolando Boldrin (Rollin Hand – 1ª voz), Aldo César (Rollin Hand – 2ª voz), Amaury Costa (Rollin Hand – 3ª voz), Carlos Campanile (Rollin Hand – 4ª voz), Ari de Toledo (Barney Collier), Rebelo Neto (Willy Armitage), Wolner Camargo (1ª voz no gravador), Wilson Ribeiro (2ª voz no gravador), Antônio Celso (narrador) e Ibrahim Barchini (narrador).
4ª temporada: TV Cinesom/RJ, com Magno Marino (voz do gravador), Araken Saldanha (Peter Graves), Ary de Toledo (Greg Morris e narração da abertura), Míriam Teresa (Dana Lambert), Hélio Porto (Leonard Nimoy).
5ª a 7ª temporadas: Álamo/SP, com Luiz Pini (Peter Graves).

Introdução

missao-impossivel01Durante sete temporadas (1966/73) os telespectadores de todo o mundo ouviram, por meio de um gravador de rolo analógico, mensagens que invocavam muita ação, aventura e suspense, nunca vistas antes na tevê.

Trata-se da série clássica Missão: Impossível, um programa que foi além de seu tempo, mesmo sem efeitos digitais, baseados apenas em trucagens cinematográficas. Com um excelente trabalho de seus atores, diretores, produtores e do criador Bruce Geller, a série se tornou um ícone do século XX, influenciando em outras séries de tevê e também na indústria do cinema.

Assistir a Missão: Impossível em pleno século XXI é como beber whisky de qualidade: quanto mais envelhecido melhor.

Esta matéria é dedicada a todos os fãs, à memória de Bruce Geller, e a todos aqueles que trabalharam direta ou indiretamente em Missão: Impossível.

O Início

Espionagem na tevê! Era isto que o “pai” de Missão: Impossível, o escritor e produtor teatral Bruce Geller desejava. Antes da fama por Missão: Impossível, Bruce apenas escrevia roteiros de séries de tevê, como Flash Gordon (1954), O Paladino do Oeste (1957), O Homem do Rifle (1958), Johnny Yuma (The Rebel, 1959) e Couro Cru (1959). Como produtor, após Missão: Impossível, Bruce trabalhou nas séries Mannix (1967, também fruto de sua criação) e Bronk (1975), com Jack Palance.

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Bruce Geller

Bruce era natural de Nova York e desejava criar e produzir algo inovador para a promissora televisão a cores, tendo por base que ele era muito influenciado pelos filmes de ação dos anos 1950 e pela febre “James Bond” da década seguinte.

Naquela época, o que havia de similar no gênero “espionagem” eram as séries Agente 86 (comédia) e O Agente da UNCLE, basicamente uma sátira da espionagem. Mas não havia nenhum programa que tinha o espírito de James Bond na tevê, com ação, suspense, equipamentos e lugares exóticos.

Com estes ingredientes, Bruce criou o primeiro esboço do novo programa de televisão. Batizado de “Brigg’s Squad”, um grupo chefiado por Daniel Briggs recebia ordens do serviço secreto americano e realizava missões perigosas para assegurar a paz mundial e a segurança nacional. Em seu grupo, haviam especialistas responsáveis por tarefas definidas para a realização da trama: um técnico em eletrônica, mecânica e metalurgia; um especialista em disfarces e dialetos; uma mulher sexy; e um homem-faz-tudo musculoso.

Com isto pronto, Bruce começou a visitar os escritórios das redes de tevê e uma delas — a CBS — se interessou pelo projeto. Com algumas sugestões feitas pelos executivos da emissora, o nome da série passou a ser Missão: Impossível. As missões seriam realizadas pelo IMF (Impossible Mission Force [Grupo MI, de acordo com a dublagem da AIC no Brasil]), uma divisão do Serviço Secreto Americano.

Faltava agora alguém para produzir o episódio-piloto.

A Mãe de Missão: Impossível

Em toda a concepção de um filho, obviamente são necessários um homem e uma mulher. Se o pai de Missão: Impossível é Bruce Geller, que seria a mãe? Bruce percorreu os estúdios de tevê da época procurando alguém que se interessasse pelo projeto. Bateu à porta da Desilu, um estúdio que, naquele ano de 1965, era o que mais produzia séries de televisão. Portanto, a “mãe” de Missão: Impossível é Lucille Ball!

O casal Lucille Ball e Desi Arnaz

O casal Lucille Ball e Desi Arnaz

A Desilu foi criada por Lucille e seu marido Desi Arnaz em 1953, para produzir seu show semanal I Love Lucy. Com a chegada da fama e dinheiro, Lucy e Desi compraram os estúdios da R.K.O., começando a produzir séries de tevê como Os Intocáveis, Wyatt Earp e muitas outras.

Mas na época em que Bruce Geller procurou a Desilu, o estúdio já não contava mais com Desi Arnaz como sócio. Era um estúdio decadente que produzia muitos “pilotos” para séries de tevê. Muitos deles eram fracassados. Alem disto, a Desilu alugava seus vários estúdios para que companhias independentes produzissem suas próprias séries.

Portanto, a Desilu nunca recusava roteiros enviados, por acreditar na possibilidade de que algum deles pudesse tirar o estúdio do “buraco”.

Voltando ao produtor Bruce Geller, ele apresentou o roteiro para Lucille e, como a Desilu estava em busca de roteiros com criatividade, encontrou uma grande oportunidade em “Missão”. Lucille aprovou a produção do “piloto”, mas confessou tempos depois que nunca entendeu muito bem a concepção da série.

Lucille também aprovou na época a produção do “piloto” de uma nova série televisiva, escrita pelo novato Gene Roddenberry: Jornada nas Estrelas. Mas o profissionalismo de Lucille em chefiar um estúdio de tevê chegou ao fim em 1968, quando ela o vendeu para a Paramount Pictures, que ficava instalada na rua detrás da Desilu, fazendo fundos com seu terreno.

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Elenco

Com o “sinal verde” para o “piloto”, o estúdio saiu em busca do elenco, sempre com o aval de Lucille Ball. Para o chefe Dan Briggs foi escolhido o ator Steven Hill, que já era um ator conhecido na tevê, mas que acabou não sendo uma boa escolha. Hill era judeu ortodoxo, não podendo trabalhar após o meio-dia das sextas-feiras até o pôr-do-sol do sábado. Como as filmagens se encerravam às 18 horas das sextas-feiras, por ordem do Sindicato dos Atores, muitos problemas aconteceram, como atrasos nas filmagens.

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Primeira formação do elenco principal: participação do ator Steven Hill (esq)

Hill foi suspenso no meio da 1ª temporada e, mais tarde, ficou sabendo através dos jornais que outro ator havia sido escolhido para o seu papel: Peter Graves.

Há aqueles que nem conhecem o personagem Dan Briggs, pois a primeira temporada de “Missão” nunca mais foi exibida na televisão, nem em sistema de syndication (emissoras independentes).

Anos mais tarde, Steven Hill ficaria famoso novamente ao interpretar, por dez anos, o chefe da promotoria na série Lei & Ordem. Desta vez a suas gravações não duravam até a sexta-feira…

Voltando a Missão: Impossível, para o papel do especialista em eletrônica Barney Collier — presidente da Collier Eletronics — foi escolhido o ator Greg Morris. Ele era um ator já conhecido na tevê, com várias passagens em seriados diversos. Barney criava todos os equipamentos do Grupo MI e era especialista em quase tudo o que necessitava de tecnologia.

A participação do personagem de Barney foi decisiva e muito do suspense da série é creditado a ele. Greg participou de todas as temporadas de Missão: Impossível e, mais tarde, conseguiu participar de uma outra série de sucesso, Vegas. Greg faleceu em 1996, de um tipo raro de câncer.

Para o papel do mestre dos disfarces Rolling Hand, foi chamado Martin Landau. Ele era um ator coadjuvante de cinema, vindo do Actors Studio, e que havia trabalhado com diretores como Alfred Hitchcock. Viu em Missão: Impossível uma grande oportunidade de expressar o seu talento. Não sabemos muito do passado de seu personagem, além de que foi um mágico famoso, especialista em disfarces e também em dialetos.

Seu personagem criou um dos mitos de Missão: Impossível. Através da criação de mascaras de látex, Rolling Hand conseguia se passar por qualquer personagem da série, inclusive imitando suas vozes. Mesmo com este argumento simplista, algumas vezes meio impossível (!), rendeu excelentes episódios. Martin só permaneceu três temporadas em “Missão”, mas a sua carreira cresceu muito depois disto, conseguindo um Oscar de Ator Coadjuvante pelo papel de Bela Lugosi em “Ed Wood” (1995), de Tim Burton. Martin continua ativo no cinema até hoje.

Bruce Geller criou uma agente sexy, atraente e também espiã astuta, como foi a famosa Mata Hari. Várias atrizes foram chamadas para o teste da personagem, onde Lucille Ball aprovou a atriz Barbara Bain, que assim como sua personagem, era modelo profissional. Barbara conheceu Martin Landau — seu futuro marido — em 1955, na famosa (e já citada) escola Actors Studio. Casaram-se em 1957 e, em 1965, Barbara já era bem requisitada na tevê e no teatro. O casal tinha uma química tão grande que fez enorme sucesso. Barbara chegou a ganhar três Emmy por suas participações em “Missão”. Permaneceram casados até 1993.

Em Missão: Impossível, Barbara viveu a personagem Cinnamon Carter, uma modelo profissional que fazia o contraponto erótico necessário na série. Na primeira participação, sua personagem aparece de toalha, mostrando que além de ser excelente atriz, tinha um belo corpo.

Em outros episódios, Cinnamon mostrou que tinha outros atributos além de ser sexy e atraente: uma verdadeira espiã. No episódio da 1ª Temporada “A Spool There Was”, os agentes Rolling e Cinnamon mostraram que eram mais do que colegas de trabalho.

Barbara permaneceu junto com seu marido Martin apenas por três temporadas de Missão: Impossível. O casal ainda atuou junto na série Espaço 1999, na Inglaterra. Hoje Barbara está semi-aposentada e faz aparições esporádicas na tevê e no cinema.

O último ator da lista é o fisiculturista Peter Lupus, no papel de Willy Armitrage, o faz-tudo da série. Peter também foi ator de alguns filmes de praia com a atriz Anette Funicello e Frankie Avalon, no começo dos anos 1960. Peter ficou mais conhecido pelo seu trabalho como fisiculturista e possui uma academia com sua esposa até hoje.

Como em todo roteiro de Missão: Impossível, cada personagem tem uma tarefa definida. A de Willy era de carregar caixas, trocar lâmpadas e tudo o que fosse necessário para o cumprimento da missão. Uma característica de seu personagem era de falar pouco, quase nada. De tanto reclamar, os produtores deram uma chance a ele em alguns episódios, onde Willy salvou o dia. Sem sua presença, a missão estaria seriamente comprometida. Lupus ainda faz algumas participações esporádicas no cinema.

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O Piloto e as Marcas Registradas da Série

Após a filmagem do “piloto”, ele foi enviado para a chefia da Rede CBS. Os executivos gostaram muito e aprovaram a 1ª Temporada. Mas um deles virou para Bruce Geller e Herb Sollow (então chefe de produção da Desilu) e disse:

- “Eu não acredito que vocês possam manter o mesmo padrão de qualidade toda a semana”.

E Sollow respondeu:

- “A Desilu produziu dezenas de programas para a tevê, todos eles com padrão de qualidade. E nosso presidente entende muito disso.

- “Mas quem é o presidente da Desilu?”, perguntou mais uma vez o indignado executivo.- “Lucille Ball”, disse Sollow.

- “Boa sorte”, falou o executivo saindo da sala.

Definido o elenco, o produtor Bruce Geller estabeleceu as características da série.

Abertura

A Desilu chamou o iraniano Reza Badiyi, especialista na criação de aberturas de séries de tevê e caracteres. Reza também acabou virando diretor de vários episódios da própria série. Anos mais tarde, ele criaria o que muitos consideram a melhor abertura de seriados de tevê: Hawaii 5-0.

Cena da abertura da série, criada pelo iraniano Reza Badiyi: a mão é do ator Greg Morris.

Cena da abertura da série, criada pelo iraniano Reza Badiyi: a mão é do ator Greg Morris

A abertura começa com uma mão (que era do ator Greg Morris) acendendo um pavio (foto ao lado), que enquanto queima, aparecem as cenas do episódio que será exibido, com o tema musical ao fundo.

Música

A Desilu chamou o argentino Boris “Lalo” Schifrin para compor a trilha de Missão: Impossível. Lalo já era compositor famoso no cinema e na tevê, e conseguiu ainda mais sucesso com este tema, que se tornou imortal.

Lalo ainda compôs vários temas de seus personagens e, em 1968, foram lançados dois discos em vinil: “Mission: Impossible” e “More Mission”. Estes dois LPs foram compilados no CD “The Best of Mission: Impossible”, já lançado aqui no Brasil.

Geller e Schifrin se reuniram mais uma vez em 1968, para compor a trilha de uma outra série de sucesso: Mannix.

Além de tilhas sonoras, Lalo Schifrin também compunha música jazz e ganhou vários prêmios Grammy.

A Série

A Mensagem…

Os episódios se iniciam com o chefe da missão (*) retirando uma mensagem secreta em um gravador de rolo analógico, deixado nos mais variados lugares. Pode ser numa loja de discos, num velho navio, num depósito de lixo etc. São estas mensagens que vão revelar qual a próxima missão a ser cumprida. Junto ao gravador, sempre há um pacote com algumas fotografias que ilustram a missão da semana. Enquanto o chefe da missão vai ouvindo a mensagem, observa as fotos com rostos de vilões, agentes e lugares.

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Jim Phelps observa gravador se auto-destruindo

O que vem a seguir virou um marco na história da televisão. As mensagens sempre terminam com a frase “Esta mensagem se auto-destruirá em cinco segundos”. Após, uma fumaça começa a sair de dentro do gravador, que explode. Estas cenas foram filmadas todas de uma vez, antes da filmagem dos episódios.

Nem sempre foram utilizados gravadores. No episódio-piloto foi utilizado um toca-discos. Em vários episódios, usaram gravadores de fita, inclusive toca-fitas de automóvel (um modelo da época, onde a fita cassete era do tamanho de uma fita VHS).

(*) Como Steven Hill foi suspenso na metade da primeira temporada, outros personagens como Cinnamon Carter substituíam o chefe na retirada das mensagens.

As Cenas de Apartamento

Após saber qual a missão a cumprir, o líder separa as fotos dos agentes selecionados num portfólio em seu apartamento. Para fazer volume no portfólio, além dos atores, foram inseridas várias fotos de membros da equipe técnica da série, além do seu criador, Bruce Geller.

A seguir, o líder da missão faz uma reunião com todos os envolvidos, onde tarefas são definidas. A missão se inicia e geralmente é tensa e complicada.

Gellerese

Uma das características da série, pelo menos até a penúltima temporada, é que a maior parte dos roteiros se passa em países estrangeiros da Europa Oriental e América do Sul. O produtor Bruce Geller ficou preocupado que algum país se sentisse ofendido, e criou uma terminologia própria para a série, chamada “Gellerese”.

Com isso, se o país fosse na Europa Oriental (lembremos que nesta época ainda existia a Guerra Fria), alguns letreiros em carros, portas e placas apareciam assim:

- “Polizei” (“police” ou “polícia”), “Forbodden Entranz” (“forbidden entrance” ou “entrada proibida”), “Gaz” (gás), “Telefon Companik” (telephonic company ou “companhia telefônica”) etc. Com isto, uma mistura de inglês e mais não sei o quê, tranquilizava os produtores da série, que temiam represálias.

Se o episódio se passasse na América do Sul, os países eram chamados de Costa Mateo, Santo Domingo, República dos Povos e com alguns letreiros em espanhol.

Efeitos Visuais

Outra característica de Missão: Impossível era a introdução de aparelhos eletrônicos, mecânicos ou espaciais em vários episódios. Tais equipamentos tiveram função fundamental na trama.

Nos estúdios Desilu, havia um funcionário chamado Jonnie Burke, chefe do departamento de efeitos visuais. Jonnie conseguiu criar aparelhos fantásticos e efeitos maravilhosos para a série, como o disco voador em miniatura no episódio “A Casamata” partes 1 e 2 (“The Bunker” – Part 1 and 2), o carro de controle remoto do episódio “O Condenado” e muitos outros.

Jonnie fazia uma pesquisa no mercado para saber quais produtos poderiam ser utilizados ou adaptados. Eles eram comprados e o pessoal do departamento trabalhava incessantemente para fazê-los funcionar, enquanto as outras cenas eram filmadas. Às vezes, estes equipamentos estouravam o orçamento dos episódios, que tinham que se tornavam duplos para suavizar o preço. Hoje, as coisas são bem mais fáceis…

Astros Convidados

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William Shatner (esq) em cena do episódio “Encore”

Como toda a boa série que se preza, os astros convidados são um caso a parte. Astros como Ricardo Montalban (Ilha da Fantasia), Robert Colbert (Túnel do Tempo), George Takei e William Shatner  (Jornada nas Estrelas), Joan Collins, marcaram época. Mas nem sempre atores ou atrizes eram as estrelas. No episódio do segundo ano, “O Selo” (The Seal), o astro era um gato, e muito talentoso.

Episódios Fora do Padrão

Alguns episódios saíram fora do padrão dos demais. Não traziam as cenas iniciais da mensagem do gravador e do apartamento. Ou algo diferente acontecia com algum agente.

No episódio “A Troca”, a agente Cinnamon Carter é capturada e sabemos que ela sofre de claustrofobia. No episódio “O Retorno”, Jim volta a sua cidade natal e tem que resolver uma série de assassinatos. No episódio “O Condenado”, Jim tem que salvar seu amigo (participação do ator Kevin Hagen) que foi condenado a morte por fuzilamento. No episódio “O Inocente”, Jim está com sua namorada jantando e tem que atender a um telefone público que contém uma mensagem urgente. No episódio “Caçado”, Barney é baleado em uma missão na África do Sul e tem que fugir de uma milícia racista. No episódio “Meu Amigo, Meu Inimigo”, Paris é capturado na Áustria, sofre lavagem cerebral e tem que assassinar Jim.

Créditos Finais

Os créditos têm um padrão na 1ª Temporada, com cenas estáticas do episódio. A partir da 2ª até a 5ª temporada, os créditos aparecem sobre imagens estáticas do gravador e da mão segurando o fósforo. Nas duas últimas temporadas (6ª e 7ª), há somente uma imagem estática com a mão segurando o fósforo.

Missão: Impossível – Uma Série Amoral

Após a 1ª Temporada, muitas críticas surgiram. A audiência era muito boa, mas os críticos afirmavam que a série era amoral. Quando o líder recebe a missão, e caso deseje aceitá-la, deverá cumpri-la utilizando todos os recursos disponíveis: enganar, trapacear, mentir, matar ou quase isto.

Bem, isto também se tornou uma outra marca registrada da série. Quem conhece seus episódios, sabe que o grupo tinha muita criatividade para conseguir as informações desejadas. Vamos ver algumas delas:

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Grupo se prepara para mais uma missão

- Episódio “O Trem”: é montado um falso vagão de trem, com paisagens e ruídos, a fim de que a vítima passe as informações que o grupo deseja, acreditando estar viajando num trem. Este episódio ganhou um Emmy.

- Episódio “O Submarino”: é montado um falso submarino, onde um ex-criminoso de guerra nazista possui uma conta numerada na Suíça. Outro Emmy.

- Episódio “A Gaiola de Vidro”: um bandido acredita que está no corredor da morte aguardando a execução.

- Episódio “Os Irmãos”: o grupo encena uma operação delicada para salvar um rei das mãos de seu irmão gêmeo, que é um vilão e quer tomar o poder.

- Episódio “O Código”: a missão é destruir dois ditadores que planejam em conjunto invadir um país para tomar o poder. Já no final do episódio, uma discussão entre os dois ditadores é monitorada pelo Grupo MI. É ouvido um estampido de revólver e ouvimos o seguinte diálogo:

- Barney: Jim, quem será que puxou o gatilho?

- Jim: E quem se importa?

Amoral ou não, Missão: Impossível estava à frente de seu tempo.

Temporada 2: Peter Graves

Conforme escrito anteriormente, Steven Hill soube que estava desempregado pelo jornal. Peter Graves havia sido contratado para o papel de James Phelps ou simplesmente Jim.

O ator Peter Graves em 2006

O ator Peter Graves em 2006

Peter Graves, ou Peter Aurness, é o irmão de James Arness, o xerife Matt Dillon da série Gunsmoke  (falecido em 2011). Peter foi um ator de muito sucesso nos anos 1950, principalmente pelos filmes de ficção-científica “classe Z”, feitos na época. Tinha um tipo pomposo que o ajudou muito em “Missão”, nos vários papéis que o personagem assumia.

Peter tinha muita experiência em tevê, pois já tinha participado de séries de sucesso como Fúria (Fury) e O Chicote  (Whiplash). Por não conhecer a 1ª Temporada — a chamada temporada esquecida –, muitas pessoas acham que Missão: Impossível sempre contou com a participação de Peter Graves.

Realmente, o ator ficou muito marcado com o personagem e a série. Mas isso nunca atrapalhou a sua carreira e sempre conseguiu trabalho na tevê e no cinema. Uma reviravolta viria em 1980, quando participou da comédia “Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu”. Com o longa-metragem, houve uma alavancada em sua carreira, onde ainda participou da refilmagem de Missão: Impossível – A Nova Série em 1988. Após, o ator ainda fez aparições esporádicas em filmes e seriados de tevê. Graves foi achado morto no dia 14/03/2010 em sua casa, em Los Angeles, devido a um ataque cardíaco.

Temporada 3: Problemas!

No final de 1968, a Paramount Studios já havia comprado e incorporado a Desilu e todo seu acervo de séries. Bruce Geller se desligou como produtor executivo e foi produzir a série Mannix.

Com a entrada do ator Peter Graves, a audiência da série cresceu bastante, paralelamente à qualidade dos episódios. No final da 3ª  Temporada, o casal Martin e Barbara resolveu pedir um aumento de salário. Como não houve acordo, o casal formalizou a sua saída.

As negociações continuaram por mais um tempo, mas ninguém chegou a um acordo final. Quando chegou a data do início das filmagens da 4ª Temporada, os produtores se deram conta de que necessitavam de uma substituição urgente. Como era o início de 1969 e a série Jornada nas Estrelas havia sido cancelada, vários atores da Paramount estavam desempregados.

Passeando nos corredores do estúdio, Leonard Nimoy foi visto por Bruce Lansbury, que havia sido contratado como o novo produtor executivo, e fez uma oferta a Nimoy. O ator incorporou, então, o Grande Paris. Pouco se sabe a respeito de Paris, além de ser mágico ilusionista e mestre dos disfarces. Também sabemos que Paris nunca deu certo com as mulheres e todas com que se relacionou tiveram um fim trágico.

O personagem Paris foi um achado para “Missão” e Nimoy. Nimoy aceitou o emprego, pois viu a grande chance de interpretar vários personagens: um líder tipo Che Guevara, um Mago, um Robô, um dançarino de Kabuki etc.

No caso da agente, o cargo foi preenchido por participações especiais de várias atrizes, dentre elas Lee Meriwether, conhecida também por Dra. Ann MacGregor de O Túnel do Tempo.

Leonard Nimoy, além de ator é escritor, produtor e diretor. Atualmente está aposentado das telas e se dedica à fotografia.

Temporada 4 e Outros Problemas na 5

A 4ª Temporada transcorreu sem problemas. A saída de Martin e Barbara não afetou a audiência e a presença de Nimoy garantiu episódios com alta qualidade.

Mas nem tudo eram flores. Nimoy se cansou de interpretar o Grande Paris e decidiu que a 5ª Temporada seria a sua última. Os produtores queriam uma nova agente e acabaram contratando a atriz Lesley Ann Warren, considerada a mais fraca atriz de “Missão”. O grande problema é que ela não tinha o tipo físico das outras atrizes que preencheram o cargo, alem de ser insegura. Não convencendo como agente, teve uma atuação desastrosa.

Além de Lesley, os produtores queriam colocar mais um agente no grupo. Sam Elliott na época era um ator desconhecido e foi contratado para fazer o papel de Doug, que além de agente era médico. Sem muito o que fazer, Doug apareceu em apenas seis episódios, embora seu nome ainda aparecesse nos créditos de abertura seguintes. Com isto, a audiência começou a cair muito e era hora de ser fazer algo.

Lesley Ann Warren continuou sua carreira de atriz após sua saída de Missão: Impossível. Melhorou muito sua atuação e foi indicada para atriz coadjuvante em 1982 por seu papel de amante burra do gângster James Garner no filme “Victor ou Victoria?”. Sam Elliott seguiu com sua carreira de ator e fez grandes papéis na tevê e no cinema, sendo o mais recente no filme “Hulk” (2003).

Temporadas 6 e 7

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Parte do elenco da 7ª Temporada (com Barbara Anderson)

Com a saída de Lesley, Sam e Nimoy, ninguém acreditava que Missão: Impossível fosse renovada para mais uma temporada. Graves, Morris e Lupus ainda estavam sob contrato, mas só os três não eram suficientes. Então, a Paramount pediu que as agências enviassem fotos de atrizes que se parecessem mais com o tipo de Barbara Bain do que Lesley Ann Warren. Das inúmeras fotos, selecionaram duas: Barbara Anderson, que estava cumprindo contrato com a série Ironside, e Linda Day George, disponível naquele momento.

Linda Day George era esposa do ator Cristopher George e fizeram muitos filmes e séries juntos. Além de muito bonita, era uma excelente atriz. No episódio de estreia da 6ª Temporada, Linda contracenou com ninguém menos que William Shatner, o capitão Kirk de Jornada nas Estrelas. E a audiência começou a subir de novo. Atualmente, Linda está aposentada das telas desde que seu marido Cris George faleceu em 1983.

O Fim

Missão: Impossível teve como característica ter a maior parte dos episódios se passando em países estrangeiros. Isto durou até a metade da 6ª Temporada, onde os roteiros se passavam nos Estados Unidos. Nesta época, o Grupo MI lutou contra bandidos comuns e a máfia. Nada mais de equipamentos sofisticados e efeitos especiais. As estórias eram comuns, parecidas com qualquer série policial dentro da tevê.

Mais uma vez a audiência começou a cair e não havia esperanças de subir novamente. No final da 6ª Temporada, Linda anunciou que estava grávida de Cris George e como Barbara Anderson já estava fora da série Ironside, foi contratada para o papel da agente Mimi Davis.

Linda chegou a comparecer em meia dúzia de episódios da sétima temporada e, quando não foi mais possível, Barbara assumiu o papel.

A 7ª Temporada foi a mais fraca de todas, onde a única novidade foi a direção de um episódio pelo ator Peter Graves, que já havia dirigido um episódio de Gunsmoke no começo dos anos 1960.

A série original de Missão: Impossível chegou ao fim em 30 de marco de 1973, com 171 episódios em sete temporadas.

A Morte de Geller

O criador Bruce Geller faleceu em 1978 em um acidente com o avião que ele pilotava. Geller havia se afastado em 1968 de Missão: Impossível, passando a produzir série Mannix. Logo após o cancelamento de “Missão” em 1973, Bruce promoveu um jogo de basquete entre os elencos de Mannix e Missão: Impossível. A confraternização, na verdade, acabou sendo a despedida entre Geller e o elenco de “Missão”.

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Elenco de Missão Impossível – A Nova Série

Nova Missão

Em 1987, durante uma greve de roteiristas de Hollywood, foram encontrados vários roteiros antigos de Missão: Impossível. Os estúdios  Paramount tiveram a ideia de refilmar os episódios, mas com outro elenco. Apenas Peter Graves voltou à série, interpretando Jim Phelps. As filmagens de Missão Impossível – A Nova Série foram feitas na Austrália e duraram 30 episódios. Um fato curioso é que o ator escalado Phil Morris é filho de Greg Morris. Phil interpretou Grant Collier, num papel similar ao que seu pai fez na série original. E não é só isso: pai e filho chegaram a contracenar duas vezes. Uma no episódio “O Condenado” da série original, como pai e filho, e outra em Missão Impossível – A Nova Série, no episódio “A Serpente Dourada”, partes 1 e 2, lançado em VHS no Brasil como “Os Agentes da Missão Impossível” (CIC Video).

No Brasil

Missão: Impossível foi exibida nas seguintes emissoras:

  • TV Excelsior: de 1967 a 1970.
  • TV Record/SP: de 1973 a 1974.
  • TV Bandeirantes: de 1976 a 1983.
  • Retro Channel (já extinto): de 2003 a 2004 (3ª, 4ª, 5ª e metade da 6ª temporada).

A última exibição de Missão: Impossível no Brasil ocorreu nos anos de 2003/2004, na programação de estreia do Retro Channel, canal de TV paga que foi distribuído no país pelo antigo sistema DirecTV. A série estava fora do ar no Brasil desde 1983, quando deixou de ser exibida pela TV Bandeirantes. O Retro Channel, que foi extinto em 2007, chegou a exibir a 3ª, 4ª, 5ª temporadas e metade da 6ª. Todos os episódios entravam no ar com som original e legendas em português.

// Clique aqui e leia “A Distribuição dos Programas da Paramount no Brasil”

No Cinema

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Missão Impossível 1

Na América do Sul (inclusive Brasil), Ásia e Inglaterra foi exibida uma compilação dos episódios da 2ª temporada “O Conselho” partes 1 e 2, sob o título “Missão: Impossível” (Mission: Impossible Versus The Mob, 1968).

Em 1996, chegava aos cinemas a primeira parte da quadrilogia “Missão Impossível”. Estrelada e produzida por Tom Cruise, a versão foi dirigida por Brian De Palma e contou com alguns elementos da série clássica: a trilha sonora de Lalo Schifrin, o elemento surpresa (suspense) e até a presença do personagem Phelps (Jon Voight).

O segundo e terceiro filmes chegariam em 2000 e 2006, mas já não trouxeram a essência da série original, apesar do sucesso.

“Missão Impossível – Protocolo Fantasma”, de 2011, é o mais recente filme da franquia.

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www.mission-impossible.tv (série)
www.missionimpossible.com (filmes)

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Matéria publicada originalmente em 28/05/2006. 
O autor é David Piraino. Escreva para nós e faça seus comentários.

Multimídia

Clique e assista a um clip especial com as aberturas da 1ª e 2ª temporadas de Missão: Impossível.

DVD

Todas as sete temporadas de Missão: Impossível foram lançadas em DVD no Brasil pela Paramount Pictures entre dezembro de 2006 e novembro de 2008. Porém, apenas o box da 1ª Temporada disponibilizou a dublagem em português (por sinal, a original, gravada pela AIC). Os demais boxes trouxeram legendas em português e o áudio original dos episódios.

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Galeria

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Comentários

  1. mario disse:

    Missao Impossivel é não relembrar de suas temporadas.