O Vigilante Rodoviário

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Ficha-Técnica

Título: O Vigilante Rodoviário (1961/62 – P&B – BRA)
Criação: Ary Fernandes
Produção: Ary Fernandes e Alfredo Palácios/ I.B.F. – Indústria Brasileira de Filmes
Elenco: Carlos Miranda (Inspetor Carlos) e Lobo
Patrocínio: Nestlé
Formato: 38 episódios de 22 minutos em 1 temporada; 5 longas contendo compilações de episódios (“O Vigilante Rodoviário” [1962], “O Vigilante Contra o Crime” [1964], “O Vigilante e os Cinco Valentes” [1966], “O Vigilante em Missão Secreta” [1967], “Mistério do Taurus 38″ [1967])
Gênero: Aventura

Criação

Durante a década de 1950, o Brasil teve seus primeiros contatos com a televisão, graças ao desenvolvimento tecnológico e a abertura do mercado para o capital externo. No entanto, os aparelhos ainda eram raridades, já que o desenvolvimento engatinhava e que só iria ganhar forma e conteúdo com o passar dos anos.

Capitão 7, da TV Record

Capitão 7, da TV Record

Neste período, os telespectadores viam alguns programas sequenciais irem para o ar. Alguns chegam a considera-los como “seriados”, como é o caso de “Alô Doçura” (1954), “Capitão 7″ (1954) e “Lever no Espaço” (1957). No entanto, O Vigilante Rodoviário, o primeiro seriado genuinamente brasileiro e que também trouxe o primeiro herói nacional, só surgiria em 1961, graças à dupla Ary Fernandes e Alfredo Palácios.

Nos anos 1940, Ary Fernandes – o autor da ideia do “Vigilante” — era fã de gibis (revistas em quadrinhos) e seriados de cinema. Sempre se perguntava o porquê da não existência de um seriado com um personagem/herói brasileiro, já que, naquela época, todos os heróis eram norte-americanos como Flash Gordon, Tarzan, Capitão América, O Sombra, Fantasma, entre outros.

Com o passar dos anos, Fernandes foi trabalhar como radialista e, por volta de 1952, trabalhou nas empresas de vídeo Kino Filmes e Companhia Maristela, indicado pelo amigo Alfredo Palácios.

Em 1959, Fernandes trabalhava como diretor de comerciais para televisão, juntamente com Palácios e, nesse período, o mundo dos quadrinhos tinha uma espécie de cowboy do asfalto chamado O Vingador, na qual Fernandes era fã. Certo dia, o diretor avistou um inspetor rodoviário trabalhando nas ruas de São Paulo e começou a ter ideias sobre um herói brasileiro, um patrulheiro. Fernandes, que era apaixonado por cães, adicionaria ainda o conceito de que o patrulheiro seria auxiliado por um cão-de-guarda experto e valente, inspirado em um personagem canino famoso na televisão, o Rin-Tin-Tin. E assim, surgiu a concepção de um seriado que seria uma inovação para o Brasil, porém, ainda não passava de imaginação.

Pré-Produção

Com toda a ideia na cabeça, faltava colocar a mão na massa e fazer o projeto utópico virar realidade. Alfredo Palácios seria o produtor técnico do seriado.

Por meio de um amigo, Ary Fernandes agendou contatos e reuniões com a Força Pública e com a Polícia Rodoviária. Logo na primeira reunião com o Sub-Comandante da Polícia, Fernandes relatou todo o projeto. Foi explicado também como seria o episódio-piloto, intitulado “O Diamante Gran-Mongol”, uma história policial que envolvia o roubo de um grande diamante, o maior do mundo. Foi então que o Sub-Comandante se dispôs a ajudar no que fosse possível, mas os recursos financeiros da Polícia Rodoviária na época eram precários.

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Bastidores da gravação de O Vigilante Rodoviário

Os primeiros passos da produção foram dados com a ajuda de um amigo de Ary Fernandes e Alfredo Palácios, que possuía um estúdio de gravação visual. Ele colaborou com quatro latas de mil pés de negativo 35 mm (cada lata de negativo possuía 12 minutos de gravação), além de ceder um carro Chrysler e seu estúdio para o que fosse preciso. A câmera a ser utilizada era uma Arriflex 35 mm, que Fernandes e Palácios haviam comprado da extinta Companhia Maristela. A equipe de produção do episódio-piloto também provinha da Maristela.

No momento de encontrar o cão-companheiro do personagem principal, a procura não foi longa. O cão-ator escolhido era um cão policial “vira-lata” chamado Lobo. Apesar de o animal não ter raça definida, era considerado um Pastor Alemão no seriado.

Mas faltava a escolha do papel principal. Fernandes procurava alguém que não fosse ator profissional e iniciou testes com amadores e policiais de fato. No entanto, nenhum aspirante agradava Ary Fernandes. Então, seguindo o palpite de sua esposa Ignez, Ary Fernandes testou membros da própria equipe de produção e realmente encontrou alguém como o perfil que desejava. Carlos Miranda seria o Vigilante Rodoviário!

Para interpretar o personagem do Vigilante, Miranda frequentou por seis meses um curso na Escola de Policiais Rodoviários em Jundiaí/SP, onde também aprendeu a lutar.

As filmagens finalmente começaram e as cenas do episódio-piloto foram feitas próximas da Via Anchieta em São Paulo, mais precisamente no Caminho do Mar, conhecida hoje como a Estrada Velha de Santos. A segunda tomada foi feita no Porto de Santos. O episódio-piloto acabou sendo feito em duas semanas e a imprensa brasileira pareceu não acreditar no projeto e o satirizou.

O filme foi revelado no Laboratório Bandeirantes, mas a equipe de produção ainda não pôde fazer o corte final nem sonorizar o projeto por falta de verbas. Isso fez com que o seriado ficasse parado por vários meses. A finalização acabou sendo feita nos estúdios da TV Record, porém ainda sem a sonorização. Para isso, foi necessária a redução do filme para 16 mm.

A sonorização do filme, último estágio a ser feito antes do lançamento, foi feita no estúdio caseiro de um técnico de som chamado Mário Sidow, responsável por sonorizar documentários e comerciais. Seu trabalho destoava dos outros, uma vez que ele fazia a divisão em pistas dos canais de som e não misturava as captações de áudio. Por dispor de um elenco amador, os personagens necessitavam uma boa dublagem e, para isso, atores de radionovela foram usados.

Terminadas as dublagens, Ary Fernandes fez a captação do som ambiente pelas ruas de São Paulo: ruídos de carros, motos, chuva, mato etc… Por fim, a sonorização musical foi feita por Paulo Bergamasco. Todo esse processo levou quase dois anos, de forma que o episódio-piloto só ficou pronto em 1960, um ano depois do início das gravações.

Em seguida, Ary Fernandes e Alfredo Palácios passaram a buscar empresas de publicidade que bancassem a continuidade do projeto como ele devia ser, ou seja, com alcance nacional. O chamariz do projeto era a não existência de uma série totalmente brasileira. Foram visitadas empresas como a Norton Propaganda, Thompson e McCann Erickson, Stander Propaganda, entre outras.

vigilante-rodoviario-02Na Norton, a exibição foi feita em uma sala de reuniões da empresa. Ao término, todos os presentes aplaudiram de pé, inclusive o publicitário Carlito Maia, que era encarregado da “conta” da Nestlé na Norton. Para ele foi mostrada uma planilha de custos com previsão da produção de 39 episódios. Destes, 13 seriam reprisados, totalizando 52 semanas, ou um ano de exibição da série. Essa proposta realmente interessou ao suíço Gilbert Valterio (diretor-comercial da Nestlé) e o projeto acabou sendo vendido e financiado pela multinacional.

Para produzir a série, Ary Fernandes e Alfredo Palácios criaram uma empresa chamada IBF – Indústria Brasileira de Filmes. A verba da Nestlé era repassada à Norton, que repassava à IBF.

O acerto com a Nestlé foi feito com um adiantamento de 20% do contrato total para que as produções pudessem iniciar. O restante iria sendo pago parcelado, a medida que os episódios eram entregues. A Norton Propaganda e a Nestlé fecharam contrato de exibição do seriado com a TV Tupi, propiciando alcance em rede nacional, como era o projeto desde o início.

Fechado o negócio, a mídia passou a dar amplo espaço para a série, tanto é que um enorme painel com o Vigilante e o cão Lobo foi instalado pela Nestlé no início da Via Anchieta.

O seriado finalmente estreou na TV Tupi em 3 de janeiro de 1961, às 20h. A medição de audiência, que na época demorava dias para ser realizada, registrou 33 pontos. No segundo episódio atingiu 55 pontos. Nascia um fenômeno televisivo.

Como naquela época apenas 30% das casas possuíam televisão, surgiu a ideia de unir quatro episódios em um filme longa-metragem e exibi-lo nos cinemas. O lançamento da película aconteceu no cine Art-Palácio em São Paulo e a película alcançou distribuição nacional com um fenômeno de bilheteria. Um segundo longa-metragem com mais quatro episódios também foi produzido e exibido em vários estados. O Vigilante Rodoviário tornava-se o primeiro herói nacional!

A Série

O Vigilante Rodoviário retrata as aventuras de um policial rodoviário chamado Inspetor Carlos, que em companhia de seu cachorro Lobo, cuida das rodovias, luta contra o crime e a bandidagem ou simplesmente ajuda as pessoas. A bordo de seu automóvel Simca Chambord ou de sua motocicleta Harley Davidson, cada episódio traz uma eletrizante aventura, um conflito e um final surpreendente.

O comandante da Polícia Rodoviária era interpretado por Washington Coimbra, que na vida real era chefe de pessoal da Polícia Rodoviária do Estado de São Paulo. Ele foi chamado para atuar no episódio-piloto e acabou participando de quase toda a série.

vigilante-rodoviario-01Após um tempo de exibição, além de passar a mensagem de que o bem sempre vence o mal, o seriado passou a ter também um caráter institucional. Como no caso do episódio “Mapa Histórico”, onde se mostrou como era preparado um antídoto para picadas de cobras no Instituto Butantan. No episódio “Orquídea Glacial”, retratou-se o funcionamento do Jardim Botânico de São Paulo. Já em “Aventura em Ouro Preto”, viu-se a importância das obras de Aleijadinho.

Um episódio chamado “A História do Lobo” foi produzido para justificar a presença do cachorro na polícia, já que na época não era permitido.

A história conta que Carlos, numa ronda de rotina, encontra um garoto chamado Tuca (Reginaldo Vieira) à beira de uma estrada com um pequeno filhote de cachorro nas mãos. O inspetor, então, passa a contar ao garoto a história de Lobo: uma noite, vindo pela estrada, Carlos encontrou um filhote de pastor alemão perdido. Mesmo sabendo da proibição de animais no quartel, Carlos o leva para lá, escondendo-o de seus superiores, mas convivendo com os outros soldados. Todos passam a treinar Lobo, que se torna o mascote da corporação. Porém, quando o superior descobre, ordena que Carlos o leve embora imediatamente. No caminho, o Vigilante encontra um casal pedindo ajuda devido a quebra de seu carro. Enquanto isso, a filha do casal vai atravessar a rua e Lobo a salva de um atropelamento. O cão sai como herói e passa a ser aceito no quartel. Após essa história, Tuca se dispõe a cuidar do animal que encontrara.

Tuca, juntamente com Fominha, Gasolina e Arlindinho, formavam o elenco infantil do seriado, mesmo que suas aparições sejam irregulares. Tuca teve sua primeira aparição no episódio “Bola de Meia”, mesmo que rapidamente. Diante do sucesso que teve com o público, Ary Fernandes escreveu um episódio só para ele, chamado “A Aventura do Tuca”.

Graças ao patrocínio da Nestlé, foi possível a contratação de atores profissionais para atuar. Alguns já eram consagrados, outros estavam em começo de carreira e, mais tarde, vieram a fazer grande sucesso. Entre eles, Juca Chaves, Etty Fraser, Stênio Garcia, Rosamaria Murtinho, Elísio de Albuquerque, Luiz Guilherme, Geraldo Del Rey, Milton Ribeiro, Fúlvio Stefanini, Lola Brah, Ary Toledo, Amândio Silva Filho, Mário Alimari, Sérgio Hingst, Ary Fontoura, Tony Campello e Lucy Meirelles.

vigilante-rodoviario-03Outro episódio de destaque foi “O Rapto do Juca”, que contou com as participações de Juca Chaves e Etty Fraser. Nele, o cantor Juca Chaves, conhecido como o “Menestrel do Brasil”, está no auge do sucesso e era muito assediado pelas fãs. Quando contratado para uma apresentação na televisão, Juca é interceptado no caminho por bandidos que o sequestram no intuito de impedir que ele realize essa participação. Ao pararem em um posto de gasolina, encontram com Carlos, que cumprimenta Juca e pergunta se está tudo bem. Mas, por não poder reagir, Juca faz sinal positivo com a cabeça que intriga o inspetor. Na hora de começar o show, o atraso de Juca causa pânico entre os produtores do programa e as fãs que resolvem investigar por conta própria o paradeiro do cantor.

A escolha do automóvel Simca Chambord para o seriado aconteceu no episódio “Ladrões de Automóveis”, onde a produção alugou uma unidade  e acabaram simpatizando com o carro. Surgiu então a ideia de solicitar mais unidades para a fábrica, a serem usadas no seriado. Como a Simca estava em baixa no mercado naquela época, com poucas vendas e pátios lotados, foi o momento certo para divulgação. Algumas unidades foram cedidas e bastou apenas pintá-las e instalar sirene e transmissor de rádio, este que foi cedido pela empresa Control.

Em um episódio chamado “O Invento”, o foco era o alto índice de roubos de carros. Nele, a montadora Simca desenvolveu um supermotor para a polícia, que facilitaria na captura de bandidos. Mas, um engenheiro da empresa, interpretado pelo ator Geraldo Del’Rey, foi chantageado por bandidos que queriam o projeto do supermotor.

A Simca deu por satisfeita a parceria com o seriado, que alavancou as vendas e deu sobrevida à montadora francesa no Brasil. Era o merchandising dando seus primeiros passos e mostrando eficiência na época.

Já a moto Harley Davidson foi utilizada desde a filmagem do episódio-piloto, pois era a motocicleta usada pelos policiais de fato.

vigilante-rodoviario-04O sucesso de O Vigilante Rodoviário se espalhou por todo o Brasil, em todas as capitais. Foi uma febre nacional, com a comercialização de bonequinhos e uma revista em quadrinhos, patrocinada pela Nestlé. Houve também vendas de uma miniatura do Simca, feitas pela própria fábrica. E foi graças ao Vigilante Rodoviário que, numa época onde apenas Japão, Inglaterra e Estados Unidos produziam programas neste formato, o Brasil ganhou o título de primeiro país da América do Sul a ter um seriado em película, rodado em 35 mm, algo comum para o cinema, mas raro para televisão.

Mas antes mesmo de completar a 1ª Temporada — faltava apenas um episódio –, o programa teve de ser cancelado devido ao aumento dos custos das fitas, reflexo das Instruções 204 e 208, promulgadas pelo então presidente Jânio Quadros. Essas instruções taxavam em 100% os produtos importados, aumentando exponencialmente o preço dos materiais utilizados pela equipe de produção do seriado.

Somado a isso, a Nestlé passou por uma mudança no corpo administrativo e a nova administração não chegou a um acordo com Ary e Palácios para o financiamento de uma nova temporada. Assim, o episódio 38 foi o último produzido, findando qualquer chance do derradeiro 39° ser rodado.

O Vigilante Rodoviário voltaria a ser exibido em 1967, ainda pela Tupi, e em 1972 pela TV Globo.

Carlos Miranda deixaria a carreira de ator três anos mais tarde, para ingressar na Academia de Polícia e se tornar policial rodoviário de verdade, a pedido do então Comandante Geral da Força Pública, General de Exército João Franco Pontes. Depois de 25 anos na Polícia, tendo feito todos os cursos na corporação, Miranda passou para a reserva como Tenente Coronel PM RES em 1998.

Quanto ao cão Lobo, contrariando ao que todos pensavam, seu dono não era Ary Fernandes, Alfredo Palácios e muito menos Carlos Miranda. O verdadeiro dono chamava-se Luiz Afonso. Ary Fernandes tentou, a todo custo, tornar-se o dono legítimo de Lobo, mas não conseguiu. Certo dia, o cão estava indo rumo a casa de Ary Fernandes e acabou morrendo atropelado.

A Volta do Vigilante

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O ator Antônio Fonzar na versão de 1978 de O Vigilante Rodoviário

Em 1978, o Ministério da Cultura, através do ministro da Educação Ney Braga e a Embrafilme, resolveram fazer um seriado para televisão. Partindo disso, decidiu-se um projeto que seria feito por 26 diretores e filmes diferentes. O primeiro da fila foi “O Vigilante Rodoviário”.

Mas, já haviam se passado 17 anos e Carlos Miranda já não se encaixava no papel do inspetor Carlos. Além disso, Lobo já havia morrido.

Assim, um jurado do programa Sílvio Santos foi chamado: Antonio Fonzar, que era o galã do momento. Para o lugar de Lobo, foram utilizados três cães da polícia, cada um com uma habilidade diferente, o que antes era feito por um só. Além disso, ao invés do Simca, o carro utilizado passou a ser um Dodge Dart, adquirido por Ary Fernandes para as filmagens do piloto.

O episódio, colorido, foi feito em 40 dias e teve 1 hora de duração. Porém, apesar de pronto, o projeto foi cancelado e o episódio-piloto nunca foi exibido, devido a problemas enfrentados pelo órgão governamental Embrafilme.

No ano de 2010, após 32 anos de sua produção, o episódio foi especialmente exibido na tevê (veja detalhes abaixo).

Tema Musical

Autor: Ary Fernandes

Vigilante Rodoviário!
De noite ou de dia,
Firme no volante,
Vai pela rodovia,
Bravo Vigilante!
Guardando toda estrada,
Forte e confiante,
É o nosso camarada,
Bravo Vigilante!
O seu olhar amigo,
É um farol que avisa do perigo,
Audaz e temerário,
Para agir a todo instante,
Da estrada é o Vigilante,
Vigilante Rodoviário!

TV e DVD

Entre 9 de março de 2009 e 25 de julho de 2010, o Canal Brasil (Sky, Net, VivoTV, entre outras) exibiu 35 dos 38 episódios produzidos. O próprio canal foi o responsável pela restauração e remasterização dos episódios, mas não conseguiu recuperar todos. “O Pagador”, “Orquídea Glacial” e “Os Cinco Valentes” ficaram de fora por não terem mais condições de restauro.

vigilante-rodoviario-dvdExatamente no dia 26/07/2010, uma segunda-feira, às 20h30, o Canal Brasil (NET, SKY, VivoTV) exibiu pela primeira vez na televisão, o episódio-piloto da versão de 1978 de O Vigilante Rodoviário. A exibição se deu na semana seguinte do término do ciclo de exibições dos 35 episódios recuperados da série original. Na semana seguinte, o horário passou a ser ocupado pela série Águias de Ouro, do mesmo produtor do “Vigilante”.

Em maio de 2013, o Canal Brasil voltou a exibir O Vigilante Rodoviário. As aventuras do Vigilante Carlos podem ser vistas de segunda a sexta-feira, 13h. Aos domingos, entra no ar uma maratona com todos os cinco episódios da semana, a partir das 8h30.

A série original de O Vigilante Rodoviário chegou em DVD em novembro de 2009, pelo selo independente Spectra Nova. O lançamento trouxe, em um box com 4 discos, os 35 episódios recuperados e remasterizados. Clique aqui para pesquisar as lojas on-line que ainda dispõem de estoque.

Vigilante Anos 2000

Em janeiro de 2011, a coluna de Mônica Bergamo no jornal Folha de S. Paulo publicou que, há exatos 50 anos após a estreia na extinta TV Tupi, uma nova versão do seriado O Vigilante Rodoviário poderia ser produzida.

A releitura seria feita pela Academia Filmes, que negociou os direitos com a família de Ary Fernandes, o criador da série.

Ainda de acordo com o jornal, Newton Cannito, que naquela ocasião acabara de deixar a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, iria roteirizar os novos episódios.

Porém, nada mais se falou sobre o assunto.

Carlos Miranda

Carlos Miranda nasceu em São Paulo, bairro da Moóca, em julho de 1933. Começou sua carreira aos 15 anos, como cantor em circos e parques de diversões. Ao atingir a maioridade, passou a fazer curso de ator no SESI e logo estreou sua primeira peça: “O Ídolo das Meninas”.

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Carlos Miranda em foto recente

Trabalhou como técnico de cinema nos estúdios da companhia Cinematográfica Maristela S/A, que ficava no bairro paulistano do Jaçanã.

Em 1962, foi escolhido para interpretar o papel do Vigilante Rodoviário. Após o cancelamento da série, Miranda ainda atuou em alguns filmes, mas seu personagem de Vigilante deixou-o muito marcado, trazendo dificuldades em realizar outros papéis.  Abandonou a carreira artística e se tornou policial de verdade.

O ex-ator também desempenhou a função de Secretário de Turismo na cidade litorânea de Itanhaém SP, por três gestões consecutivas.

Hoje, prestes a completar 80 anos, Carlos Miranda está aposentado e ainda dispõe de boa saúde. Reside na cidade paulista de Águas da Prata, tem cinco filhos e alguns netos.

Frequentemente, apresenta-se a caráter em exposições de carros antigos, junto a seu Sinca Chambord 1959, usado na série.

Em 2009, Miranda lançou sua autobiografia, intitulada “Inspetor Carlos – O Eterno Vigilante”.

Ary Fernandes

Nascido na capital paulista em 1931, Ary Fernandes começou a carreira no rádio como locutor e ator. Com especial interesse pela parte técnica do cinema, começou a trabalhar na Companhia Cinematográfica Maristela.

Tiago Queiroz/AE - 11/12/2009

O cineasta Ary Fernandes em 2009

Em 1952, o diretor de cinema Alberto Cavalvanti deu a primeira grande oportunidade a Ary como assistente de direção nos filmes “O Canto do Mar” e “Mulher de Verdade”.

Já em 1958, junto com o cineasta Alfredo Palácios, criou o pioneiro seriado brasileiro, O Vigilante Rodoviário. Em 1967 produziu e atuou no seriado Águias de Fogo, que não obteve o mesmo sucesso que o “Vigilante”.

A partir de então, passou a se dedicar ao cinema, atuando como produtor e diretor em filmes como “Uma Pistola Para Djeca” (1969) e “Orgia das Libertinas” (1980). Dirigiu mais de 130 filmes.

Seu último trabalho foi a autobiografia “Ary Fernandes – Sua Fascinante História”, lançada em parceria com o escritor Antônio Leão da Silva Neto, em 2006.

O cineasta, escritor, ator e produtor Ary Fernandes morreu em agosto de 2010, aos 79 anos.

Curiosidades

  • A equipe de produção do episódio-piloto contou com ajuda de pessoas próximas a Ary Fernandes, entre eles, o próprio pai do diretor, que garantia a alimentação da equipe.
  • Para rodar o episódio-piloto foi necessária a ajuda de quatro policiais rodoviários para cuidar do trânsito, enquanto eram feitas as filmagens.
  • O verdadeiro nome do cão Lobo era King, mas Ary Fernandes quis deixar seu nome mais brasileiro.
  • O nome original do seriado é “O Patrulheiro”, que chegou a ser utilizado durante a produção dos três primeiros episódios. Porém, antes do lançamento oficial na televisão, surgiu o seriado Patrulheiros Toddy, fazendo com que Ary Fernandes alterasse o nome. “Ocorreu-me que um patrulheiro deve estar sempre alerta, vigilante. Soou me harmoniosa a concordância dessas palavras ‘vigilante’ e ‘rodoviário’”, disse Ary Fernandes.
  • As fardas do elenco eram fornecidas pela própria Polícia Rodoviária, com exceção da farda de Carlos, que foi confeccionada especialmente para o seriado.
  • Os carros e motos também foram todos cedidos pela polícia. As motos não possuíam rádio e foi necessária uma adaptação. Um rádio-transmissor Byington (usado na guerra) foi instalado. Nos sucessores episódios, após aprovação do piloto, foram usados equipamentos Control e os Fords 1949 e 1950 também foram usados.
  • Os rádio-transmissores instalados nos carros, motos e jeeps não funcionavam na realidade.
  • A direção da TV Record gostou muito do material produzido e fez a proposta para exclusividade da exibição do programa. Porém, inicialmente, o alcance da emissora era somente para Rio de Janeiro e São Paulo (o mesmo que acontecera com o seriado Capitão 7).
  • Ary Fernandes e Alfredo Palácios desejavam a exibição do seriado em todo território nacional, dando a ele o caráter de ser o primeiro exibido para todo Brasil.
  • O seriado era transmitido às quartas-feiras em São Paulo e às quintas no Rio de Janeiro, onde curiosamente o sucesso foi ainda maior.
  • Na época da produção do seriado, o video-tape ainda não existia. A distribuição pelo Brasil, portanto, era feita em forma de cópias dos rolos de 16 mm. Cada episódio tinha quatro rolos de distribuição. Dois ficavam em São Paulo e os demais iam para o Rio de Janeiro. Tempos depois, iam se espalhando por outros estados brasileiros.
  • “Vigilante” tinha como característica ser rodado no Estado de São Paulo, mas três episódios foram produzidos em outros estados, onde a audiência era alta: “O Sósia” (RJ); “Aventura em Vila Velha” (PR); e “Aventura em Ouro Preto” (MG). O episódio do Paraná foi a estreia do ator Ary Fontoura em um seriado.
  • Os atores utilizados na dublagem não cobraram cachê, mas após a aprovação do episódio-piloto, a grande maioria foi efetivada e participou de todo o seriado.
  • O inspetor Carlos foi dublado pelo ator e dublador Astrogildo Filho, que também dublou o Prof. John Robinson (Perdidos no Espaço) e o Cap. Kirk em Jornada nas Estrelas).
  • Quando O Vigilante Rodoviário foi ao ar pela TV Tupi, a equipe de produção possuía apenas 12 capítulos concluídos, quando o combinado eram pelo menos 22 ou 23.
  • Na época, a Nestlé também patrocinava a série americana O Menino do Circo, que dava boa audiência, mas devido a tragédia ocorrida em um circo de Niterói (RJ), a empresa decidiu patrocinar O Vigilante Rodoviário.
  • Cada episódio levava aproximadamente 15 dias para ser finalizado.
  • A música-tema de O Vigilante Rodoviário foi composta por Ary Fernandes e gravada pelo grupo Titulares do Ritmo. Um segundo tema também foi produzido por outro compositor, mas acabou sendo usado como trilha nos episódios (música incidental).
  • As cenas de ação que, teoricamente, necessitariam dublês, eram feitas pelos próprios atores.
  • Tecnicamente falando, as cenas de luta presentes do seriado eram feitas com 22 fotogramas. Assim, na montagem final, o editor retornava aos 24 quadros e o efeito alcançado era totalmente pioneiro para a época. O Vigilante Rodoviário, além de ser uma ideia pioneira, a própria produção dos filmes era feita com algumas técnicas avançadas para o Brasil da época.
  • Carlos Marti foi o responsável pela criação do logotipo do Vigilante, que não tinha nada a ver com a polícia. Porém, muitos telespectadores acreditavam que aquele era o brasão da Polícia Rodoviária.
  • Nas cenas onde o Simca era usado, a câmera era amarrada e presa ao veículo.
  • Nos últimos três episódios quase não havia mais dinheiro e o criador, produtor e diretor Ary Fernandes se ocupou de fazer outros papéis na equipe como a fotografia e a filmagem.
  • O Vigilante Rodoviário rendeu ao diretor Ary Fernandes um troféu Roquete Pinto, sinônimo de respeito no cinema nacional.
  • Em 1959, Ary Fernandes trabalhava como diretor de comerciais para televisão, juntamente com Alfredo Palácios. Nesse período, antes de produzirem juntos o “Vigilante”, surgiu a ideia de fazerem um filme musical para televisão, algo que acabou não vingando, devido a existência de grandes dificuldades de distribuição da fita no Brasil.
  • A empresa responsável pelos direitos autorais de O Vigilante Rodoviário chama-se Procitel – Produções Cine Televisão Ltda., de propriedade da família de Ary Fernandes.

Links Interessantes

» www.vigilanterodoviario.com
» www.vigilantecarlosmiranda.com.br
» g1.globo.com/Noticias/Carros/0,,MUL414588-9658,00.html 
» www.mplafer.net/2007/04/de-noite-ou-de-dia-o-vigilante.html
» www.terra.com.br/istoegente/67/reportagem/rep_carlos_miranda.htm

// Clique aqui para ver a Lista de Episódios de O Vigilante Rodoviário

O autor desta matéria é Guilherme De Lucca. Escreva para nós e faça seus comentários.

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Comentários

  1. hercules zuin disse:

    linda materia,muita saudades estou sempre em aguas da prata,cidade onde carlos miranda mora e vejo seu cimca no posto rodoviario.

  2. Agradeço o carinho pela memória e pela obra de meu pai Ary Fernandes!
    Obrigada pela matéria!
    Abraço

  3. muito bom seriado,tenho todos os episodios.