Terra de Gigantes

Ficha Técnica

Título: Terra de Gigantes (Land of the Giants/1968-70/EUA/Cor)
Gênero: Seriado/Ficção Científica
Produtora: 21th Century Fox e Irwin Allen Productions
Tema Musical: John Williams
Criação e Produção: Irwin Allen
Elenco: Gary Conway [Steve Burton], Don Marshall [Dan Erickson], Deanna Lund [Valerie Scott], Don Matheson [Mark Wilson], Heather Young [Betty Hamilton], Kurt Kasznar [Alexander Fitzhugh], Stefan Arngrim [Barry Lockridge] e Kevin Hagen [Inspetor Kobick]
Formato: 51 episódios de 50 min. em 2 temporadas
Dublagem: A.I.C./SP – Dráusio de Oliveira [Steve Burton], João Paulo [Mark Wilson], Aliomar de Matos [Barry Lockridge], João Ângelo [Dan Erickson], Isaura Gomes [Valerie Scott], Sandra Campos [Betty Hamilton], José Soares [Alexander Fitzhugh], Osmiro Campos [Inspetor Kobick] e Carlos Alberto Vaccari [narrador]
Distribuição no Brasil: Fox Films do Brasil
Exibição no Brasil: TV Record (estreia), TV Tupi, TV Globo, Fox (TV paga), FX (TV paga),  TCM (TV paga), UlbraTV, Rede Brasil

Introdução

Os anos 1960 foram muito importantes na história do século XX. Foi naquela época que toda geração que havia nascido durante a Segunda Guerra Mundial, ou pouco depois de seu término, chegou à vida adulta. Essas pessoas decidiram que não teriam os mesmos vínculos que seus pais tinham com a sociedade moderna que vinha se formando desde o começo da Era Industrial, no final do século XVIII. Além de romper com todo um estilo de vida, os jovens dos anos 1960 queriam criar outra sociedade, totalmente nova, onde as limitações impostas pelos sistemas políticos e econômicos seriam rompidas em definitivo.

Eesse projeto utópico não se concretizou, mas foi a base para o surgimento da contracultura, do movimento pacifista contra a intervenção americana no Vietnã, da luta contra o racismo, da Primavera de Praga e tantos outros acontecimentos daquela época que, se não derrubaram a sociedade até então existente, a modificaram de maneira profunda.

O produtor e diretor Irwin Allen

Foi nesse contexto social conturbado que os criadores como Irwin Allen e Gene Roddenberry conseguiram mudar o panorama da ficção científica na tevê, já que não encontravam o clima ideal para pôr em prática suas ideias no cinema americano daquela época. Foi na telinha que esses dois homens criaram alguns dos maiores fenômenos da cultura de massa, que influenciaram posteriormente muitos outros criadores.

Roddenberry criou a série Jornada nas Estrelas e Allen outras quatro grandes séries de sucesso: Viagem ao Fundo do Mar, Perdidos no Espaço, O Túnel do Tempo e, por último, Terra de Gigantes, o projeto mais ousado do produtor.

Em Terra de Gigantes, o público pôde acompanhar as aventuras de um grupo de terrestres perdidos em um planeta habitado por gigantes, algo que proporcionou um grande sucesso, graças à cenografia bem elaborada e o clima bizarro da série. Foi mostrado um curioso planeta muito parecido com a Terra em alguns aspectos.

Pré-Produção

Irwin Allen já havia explorado, em suas três séries anteriores, aventuras no mar, no espaço e no tempo. Agora, era a vez de explorar um mundo gigante!

A origem da inspiração de Allen para a criação de Terra de Gigantes é incerta. Há uma versão que diz que veio a partir de um sonho; outra pelo fato de que o produtor era fã do conto de Jonathan Swift, “As Viagens de Gulliver”; ou, ainda, por plágio do filme “O Incrível Homem que Encolheu” (1957). Seja qual for a origem da série, é fato que Irwin Allen sempre foi muito criativo e não há motivos para duvidar da possibilidade de que tudo tenha surgido de sua própria mente.

A série foi dando seus primeiros passos em 1967, a partir de um roteiro escrito por William Welch, intitulado “In the Beginning…”. Na história, o Major Steven Warren e o Dr. Alex Bryan desembarcam em um lugar estranho, onde imaginavam ser a Terra, mas, na verdade, tratava-se de um planeta habitado por gigantes.

Neste roteiro, previa-se que a escala dos pequeninos em relação aos gigantes era de ¼ de polegada, o que seria alterado posteriormente para meia polegada. No script, os personagens eram tão pequenos que um peixinho dourado poderia parecer uma baleia diante deles. A história trazia bastante suspense e aventura, aliados aos personagens cativantes como o curioso herói Major Warren e o bem-humorado Dr. Bryan.

Após diversas mudanças de roteiro, finalmente um filme de oito minutos foi gravado, em busca da venda do projeto. Foi mostrado como os viajantes de um voo sub-orbital caíram em um lugar repleto de gigantes. Fato curioso é que a maioria dos personagens mostrados não são os que viriam realmente a participar da série. Além disso, a nave usada — intitulada Spindrift — era nada mais, nada menos que a Jupiter II, da série Perdidos no Espaço, que acabou recebendo umas readaptações e sendo reaproveitada.

O apresentador deste vídeo de divulgação foi o ator Don Mastherson, que aceitou o trabalho sob a promessa de atuar na série, caso realmente viesse a ser produzida. E foi isso o que aconteceu: a rede ABC se interessou pelo projeto e a série Terra de Gigantes começou a ser produzida ainda em 1967.

Irwin Allen dirige “The Crash” o primeiro episódio da série

Mais algumas alterações foram feitas no script, alterando nomes, números e datas. A filmagem do episódio-piloto –“The Crash” — começou em 26 de dezembro de 1967, com o próprio Irwin Allen na direção. Foram 18 dias de gravações e a intenção era de que a estreia ocorresse ainda naquele ano, mas não foi possível. Como o início das temporadas nos EUA se dava em setembro ou outubro, a estreia teve de ficar para o ano seguinte.

Irwin Allen era um diretor bastante exigente e costumava determinar que os atores gravassem cenas adicionais, já que elas poderiam ser úteis em caso de mudanças nos planos, algo que os atores não gostavam muito. Com isso, foram gravadas tantas cenas adicionais para o episódio-piloto de Terra de Gigantes que praticamente dois “pilotos” puderam ser montados. O primeiro é o que foi ao ar realmente e o segundo, virou raridade, mas acabou aparecendo em 2007 como extra dos DVDs lançados nos EUA/Canadá, uma grata surpresa aos fãs.

Ao final de abril de 1968, 16 episódios já haviam sido gravados, mas a estreia só viria a acontecer mesmo em 22 de setembro de 1968.

Nunca uma série de tevê tinha custado tão caro como Terra de Gigantes. Cada episódio foi orçado em 250 mil dólares, sendo que a construção de cenários e objetos gigantes eram os itens mais caros da produção. O programa durou apenas dois anos, visto que, além do alto custo dos episódios, os estúdios Fox tinham que pagar uma dívida gerada na produção do filme “Cleópatra” (1963), que também foi muito caro, mas que não obteve boa bilheteria.

A Série

A história se inicia no então distante ano de 1983, no dia 12 de junho, quando já existia uma tecnologia na Terra onde as viagens aéreas domésticas eram realizadas em pequenas espaçonaves, já que podiam atingir alta velocidade e alcançar altura sub-orbital.

Em uma viagem entre Nova York e Londres, a espaçonave Spindrift e sua tripulação são envolvidas em uma névoa magnética e surpreendentemente transportados a um planeta alternativo, 12 vezes maior que a Terra, povoado por perigosos gigantes.

A nave ficou avariada, impossível de regressar, iniciando uma série de perigosas aventuras para os seus sete passageiros.

O Capitão Steve Burton e o co-piloto Dan Erickson têm a função de proteger o grupo, além de procurar ocultar e consertar a Spindrift. Os desafios são muitos para todo o grupo, principalmente buscar por comida, abrigar-se dos gigantes e animais e de procurar uma maneira alternativa de voltar para casa.

Os gigantes, em sua maior parte, são seres perigosos e desejam capturar os “Pequeninos”, como costumam chamá-los, a todo custo, visto que a tecnologia dos gigantes está 50 anos atrasada em relação à Terra. Logo no dia em que os Pequeninos chegam ao planeta,  já são vistos pelos gigantes e se tornam interessantes para estudos de cientistas, para servirem de brinquedo, ou mesmo para gerar lucro, como em um circo, por exemplo. No decorrer dos episódios, são vistos outros humanos que também caíram no planeta, ou mencionados outros que por lá também  passaram.

A população do planeta é controlada por um Regime Autoritário de Poder, muito assemelhado a ditaduras, que na época em que a série foi gravada, eram mais numerosas que nos dias atuais. Com isso, as histórias de Terra de Gigantes foram críticas evidentes ao autoritarismo.

Apesar do Regime, alguns gigantes dissidentes aparecem no decorrer dos episódios, seja prestando ajuda aos seus amigos, aos próprios Pequeninos ou mesmo trabalhando para tentar desmontar o governo.

Para cuidar da segurança do Regime, o governo conta com a polícia conhecida por SID (Departamento de Investigações Especiais, na tradução livre), cujo chefe é o sádico Inspetor Kobick, inimigo número um dos Pequeninos.

Os Pequeninos frente a frente com gigantes

Causando um maior grau de dificuldade ao grupo, ele enfrenta diversos problemas internos. O passageiro Alexander Fitzhugh, por exemplo, é um covarde golpista, que nunca está disposto a ajudar e acaba até colocando o grupo em risco por diversas vezes. Há também muita discussão entre o precavido Capitão Burton e o engenheiro Mark Wilson, que muitas vezes perde a noção do perigo, tamanho é seu desejo de retornar a Terra.

Novas aventuras vão surgindo, com participações de vários artistas convidados fazendo papel de gigantes ou de outros humanos pequenos que aparecem no decorrer dos episódios. Para tentar reparar a nave Spindrift, por exemplo, muitas vezes o grupo vai até alguma oficina da cidade dos gigantes, onde geralmente encontra um disposto a capturá-lo. É muito comum também que os Pequeninos tenham de fazer acordos e permutas com gigantes para escaparem de seus poderes. Por outro lado, algumas vezes os Pequeninos encontram gigantes que os ajudam a sair de situações de perigo.

Para se ter uma ideia da fragilidade dos Pequeninos, como tudo é gigantesco no planeta, uma gota d’água ou um inseto podem até matá-los.

Personagens

Steve Burton [Gary Conway]: capitão da espaçonave Spindrift, assume a responsabilidade do grupo, algo que vai gerar muitos conflitos com o passageiro Mark Wilson e, às vezes, até com seu próprio co-piloto Erickson; além da sobrevivência do grupo, Burton busca incessantemente uma forma de retornar à Terra; Gary Conway já havia trabalhado em peças de teatro, no cinema e co-estrelado a série A Lei de Burke, ao lado de Gene Barry, o Bat Masterson.

Dan Erickson [Don Marshall]: dedicado co-piloto da Spindrift, torna-se grande amigo e aliado do capitão; em 1961 fez sua estreia em “The Intern’s” – seu primeiro filme – e passou a participar de várias séries de televisão, como Ben Casey, Couro Cru, Daktari e Suspense (Alfred Hitchcock). Em 1965, participou de um episódio de Jornada nas Estrelas.

Mark Wilson [Don Matheson]: passageiro da Spindrift e engenheiro de profissão; estava indo a Londres a negócios; é um elemento conflitante com as decisões do Capitão Steve Burton; mostrou-se arrogante e intolerante de início, mas aos poucos torna-se mais compreensivo. Trabalhou em episódios de Perdidos no EspaçoViagem ao Fundo do MarEmergênciaShaftOs WaltonsOito é de MaisMagnum,   Dinastia e  General Hospital. Casou-se em 1970 com a atriz Deanna Lund e tiveram uma filha. Morreu de câncer no pulmão em 28/06/2014.

Betty Hamilton [Heather Young]: comissária de bordo da Spindrift, se coloca como amiga de todos e sempre está disposta a executar ordens de seus superiores; Heather Young começou a trabalhar como enfermeira e fisioterapeuta; quando começou a cantar em uma igreja mórmon, foi descoberta pela 20th Century Fox; cantou por um tempo na Disneylândia e logo depois foi chamada pela Fox para atuar em Hollywood; atuou nas séries Batman, Judd e no filme “A Guide for the Married Man” (1967).

Steve Burton, Dan Erickson, Mark Wilson e Betty Hamilton

Valerie Ames Scott [Deanna Lund]: rica passageira da Spindrift; muitas vezes foi intolerante e colocou em perigo a vida de outros; participou de vários filmes antes de Terra de Gigantes, inclusive dois deles com Elvis Presley; nos anos 1990, também participou de alguns filmes e hoje trabalha em campanhas contra violência.

Alexander Fitzhugh [Kurt Kasznar]: um covarde e ganancioso passageiro da Spindrift que sempre se nega em ajudar o grupo; na fatídica viagem, levava uma valise cheia de dinheiro, fruto de um golpe que havia executado; em vários episódios é o responsável por situações que coloca o grupo em perigo; as semelhanças de personalidade com a do Dr. Smith (da série Perdidos no Espaço) é bastante evidente; Kasznar era um veterano ator de teatro e cinema; faleceu em 1979.

Barry Lockridge [Stefan Arngrim]: um garoto órfão, com 11 anos de idade, que ia a Londres para ser criado por um parente; traz consigo um cão chamado Chipper; é muito corajoso e muito bem tratado pelos companheiros, em especial, pela comissária de bordo Betty Hamilton; filho de uma atriz e um produtor, Arngrim já havia atuado em séries antes de Terra de Gigantes, como em Os Defensores, Gunsmoke, Combate, E as Noivas Chegaram, entre outras; na década de 1970, ficou fora da tevê, mas voltou em filmes e séries como Carro Comando, “Highlander”, The Sentinel, Arquivo X, Poltergeist: The Legacy, Millennium,  entre outros.

Inspetor Kobick [Kevin Hagen]: sádico chefe da polícia da Terra de Gigantes — chamada SID (Special Investigation Department) — que tenta capturar “os pequeninos” a todo custo; apesar de ter aparecido em apenas nove episódios, o talento de Hagen e o bom nível dos roteiros transformou o personagem em um dos vilões mais lembrados da história da tevê; Hagen fez cinema, teatro e televisão como em Duro na Queda, Ilha da Fantasia, M*A*S*HOs Pioneiros; morreu em 2005.

Valerie Ames Scott, Alexander Fitzhugh, Barry Lockridge e Inspetor Kobick

Universo Paralelo

Nunca foi mencionado o nome do misterioso planeta onde vivem os gigantes. Porém, os habitantes sabem da existência da Terra, Vênus e Marte, como visto em alguns episódios. A localização do planeta gigante também não é revelada na série, mas supõe-se que ele esteja em uma dimensão paralela a da Terra, que pode ser acessada por meio de uma misteriosa “fechadura”, algo que também é do conhecimento de alguns dos gigantes.

Isso pode ser constatado em um episódio chamado “Em Noites Claras Avista-se a Terra”, onde o Capitão Steve Burton chegou a visualizar a Terra, após acidentalmente ter estado diante de um jogo lentes de um óculos de proteção infra-vermelha. Ficou esclarecido que os dois mundos estão  presentes em uma espécie de “universo paralelo”, um ao lado outro, porém visíveis somente através do uso de aparelhos especiais.

Outra informação que é passada ao longo dos episódios é que os habitantes desse planeta não possuem naves espaciais tripuladas, explicando assim o não aparecimento de nenhum gigante aqui na Terra.

No episódio “A Volta”, Steve e Fitzhugh acabam levantando voo em uma cápsula do tempo e voltando à Terra, mais especificamente na Inglaterra, porém no ano de 1900. O alvoroço criado pela presença deles o fizeram ter de voltar ao planeta dos gigantes, mas ficou registrado que é possível voltar ao planeta natal dos Pequeninos.

Steve e Fitzhugh observam pouso no planeta Terra no episódio “A Volta”

No planeta, o controle do tráfego aéreo impede viagens marítimas, já que não é permitida a exploração de regiões além do continente onde se passam as histórias. Apesar de um governo autoritário, em vários episódios aparecem dissidentes salvando e prestando ajuda aos seus amigos, aos humanos ou então trabalhando para desmontar o governo.

O SID, liderado pelo terrível Inspetor Kobick, faz de tudo para capturar esses dissidentes e também os humanos. Aliás, o interesse dos gigantes  pelos humanos são diversos, entre eles, para servirem de estudos para cientistas, simplesmente para servirem como brinquedos para outros ou, ainda, como fonte de renda, utilizando-os em um circo por exemplo.

Curiosidades

- Para dar maior impressão de que os atores gigantes realmente tinham alguns metros de altura, as cenas eram filmadas de baixo para cima, a uma certa distância. Porém, em alguns episódios, os gigantes foram filmados normalmente, sem ângulos especiais.

- As leis americanas eram muito rígidas com relação a crianças que trabalhavam. Por isso, o ator-mirim Stefan Arngrim tinha de ter uma hora de aula por dia dentro dos estúdios Fox. Por um tempo, ele chegou a ter outros companheiros em sala, como Billy Mumy e Angela Cartwright (de Perdidos no Espaço); e Darby Hinton (de Daniel Boone).

Maquete original da nave Spindrift

- O responsável pelos desenhos de naves, objetos e logotipos foi Paul Zastupnevich, que também criou designs nas outras séries de Irwin Allen.

- A maquete da nave Spindrift tinha praticamente 1,80m de comprimento e contou com peças já utilizadas em outras produções da Fox. Os assentos da cabine, por exemplo, foram usados no filme “O Planeta dos Macacos” (1968). Por sua vez, partes originais da Spindrift foram reutilizadas no filme “Cidade Sob o Mar” (1970).

- Era sempre engraçado ver um gigante agarrando um Pequenino. As cenas mostravam apenas as pernas se movimentando, um efeito mecânico por entre a mão fechada do gigante.

- Don Marshall foi um dos poucos americanos negros na televisão que interpretou um papel central.

- O episódio 21 da 1ª Temporada (O Gênio) é o único onde um ator gigante – no caso, Kevin Hagen – realmente contracena com um Pequenino (Gary Conway e Kurt Kasznar). As cenas dos gigantes não eram gravadas no mesmo estúdio dos Pequeninos.

- No episódio 17 da 2ª Temporada (O Flautista)

Ator Jonathan Harris participa de episódio como um flautista e viajante do tempo

(Dr. Smith de Perdidos no Espaço) aparece interpretando um tocador de uma espécie de trompete que hipnotizava pessoas (como no conto “A Flauta Mágica”); a ideia era atrair o garoto Barry para fora do esconderijo e com isso apanhar todos os humanos.

- A gravidez de Heather Young na vida real pôde ser observada na 2ª Temporada, mesmo com a tentativa da produção em filmá-la atrás de outros personagens ou com algum objeto escondendo sua barriga. Algumas vezes, Young nem participou de certos episódios, já que não seria interessante contextualizar a gravidez na história dramática dos Pequeninos.

- A equipe de criação e design era muito competente e conseguiu reproduzir bem alguns objetos em grandes dimensões, como hidrantes, câmeras, coleira de um cão, um esfregão ameaçador, tubos de ensaio, uma galinha com fome, drenos, rédeas de um cavalo, entre outros.

- Os atores tiveram de suportar grandes desafios físicos em corridas, escaladas e manipulação de adereços gigantes. É óbvio que cada um dos atores, incluindo o “cinquentão” Kurt Kasznar, estava em muito boa forma.

Don Matheson fica desacordado após bater a cabeça de verdade; gravação seguiu, pois pensaram ser encenação

- Em algumas ocasiões, os atores realmente se feriram ou se sentiram mal, como é o caso de Don Marshall, que deslocou o ombro durante uma cena de “Cidade Fantasma” em que precisava acender o fogo.  Don Matheson também se acidentou em “Câmera do Terror”, em uma cena onde ele está dentro de um boneco de cera e cai, batendo com a cabeça de verdade. Os atores e profissionais continuaram gravando com Matheson caído, pensando que era encenação. Gary Conway quebrou duas costelas durante uma cena de luta com um jovem também humano, no episódio “Perdidos”, e Heather Young foi vista saindo rapidamente de uma cena, passando mal com a mão na barriga, em “O Flautista”.

- Apesar dos gigantes falarem a mesma língua dos humanos, a escrita não é a mesma.

- No episódio “Apêndice Inoportuno”, em uma tenda, Steve chama Fitzhugh de Kurt, seu nome na vida real. O erro pode ser percebido apenas na versão original em inglês, visto que a dublagem brasileira corrigiu o erro. Outro erro que a dublagem brasileira encobriu foi no episódio “Andróides”, onde Deanna Lund chamou o cão Chipper diversas vezes de “boa garota”.

- Os altos valores de produção da série já previam a contratação de um bom elenco de convidados especiais; havia atores que faziam parte da “companhia teatral” do produtor Irwin Allen e puderam ser vistos em todas suas séries; entre eles incluíam John Carradine, Lee Meriwether, John Crawford, Warren Stevens, Neemias Persoff, Malachi Throne, Michael Ansara, Paul Fix, Jonathan Harris e a futura esposa do produtor, Sheila Matthews.

No Brasil

A série Terra de Gigantes foi retransmitida para mais de 80 países, incluindo da América Latina. No Brasil, a estreia foi pela TV Record de São Paulo, no dia 2 de março de 1969, às 18h30, um domingo.

Divulgação da primeira exibição no Brasil

Após uma pausa, a série retornou pela mesma emissora em 1972, sendo exibida às terças-feiras. Por volta de 1974, passou a ser exibida pela Rede Globo e, anos depois, pela TV Tupi.

Em alguns episódios de Terra de Gigantes, podem-se observar alusões aos movimentos políticos armados que procuravam lutar contra regimes repressivos. Como a série começou a ser exibida durante o Regime Militar brasileiro, fica claro que a Censura Federal não observou esse detalhe e liberou a exibição dos episódios.

Décadas depois, com a chegada de TV por assinatura em 1990, depois de praticamente uma década fora do ar, Terra de Gigantes foi reprisada pelo canal Fox, permanecendo no ar até o fim daquela década. Paralelamente, em 1992, a TV Record comprou novamente os direitos de exibição, colocando-a no ar às 16h30.

Lançamento especial em DVD para EUA e Canadá com diversos extras e brindes

Em 2004, o canal Fox voltou a apresentar a 1ª Temporada da série e, no ano seguinte, a repassou para seu novo canal de entretenimento, o FX.

Atualmente, Terra de Gigantes tem sido vista em emissoras de menor porte, como UlbraTV (do Rio Grande do Sul) e a Rede Brasil de Televisão, ambas com sinal via satélite para todo o Brasil.

Felizmente, a série teve sua dublagem preservada e todas as exibições contaram com o primoroso trabalho do estúdio AIC. Por outro lado, os brasileiros e tantos outros fãs do mundo afora ainda não puderam rever a série em DVD, já que os direitos autorais só permitiram que fossem lançados na Região 1 (EUA, Canadá). Aliás, a série foi lançada em uma edição muito especial, com embalagem em formato da gaiola que prendeu os Pequeninos na série, além de fotos e muitos extras importantes.

Em 1973 a editora EBAL lançou uma revista em quadrinhos especial, baseada na série, com edição única.

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O autor desta matéria é Maurício Viel. Escreva para nós e faça seus comentários.

Multimídia

Clique e assista à abertura da 1ª Temporada de Terra de Gigantes com a dublagem brasileira.

Clique e assista à abertura da 2ª Temporada de Terra de Gigantes com a dublagem brasileira.

Galeria

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Comentários

  1. Paulo disse:

    Clássico!

  2. eu gostava dessa serie bem legal

  3. Nelson disse:

    Em 2011 na Inglaterra foram lançados Terra de Gigantes, Túnel do Tempo e Viagem ao Fundo do Mar em DVD. Aqui continuamos chupandp dedo. A continuar esse descaso da Fox, os fãs dessas séries vão acabar recorrendo a cópias alternativas.

    1. ricardo disse:

      Todos foram lançados pela MA filmes,com dublagem original,voçe encontra em lojas no centro de São Paulo,perto igreja do largo Paisandu e av São João,em formato box,com ótima imagem e som ou pode assistir na tv no canal Brasil,50,passa tudo la´.

  4. solange disse:

    realmente seria bem legal rever novamente

  5. Eduardo Zanardi disse:

    Parabéns pela matéria. Completa e perfeita, tanto texto quanto videos e fotos. Eu assistia essa série quando criança, tanto em 69 quanto em 72. Sempre em branco e preto, pois não tinhamos televisão colorida em casa. Recentemente quando vi alguns episódios coloridos, foi como se os visse pela primeira vez, mas em preto e branco também tinham seu charme, e apesar da perda de detalhes, mexiam com nossa imaginação. Clássico, bem produzido, temáticas bem colocadas e com uma mensagem de que devemos respeitar o que desconhecemos, sem estabelecermos pré-conceitos apenas com a “primeira impressão” e a aparência. Meu episódio preferido: Cidade Fantasma. Nesse episódio, temos uma metalinguagem que joga com as diferentes proporções de pessoas (pequeninos e gigantes), cenários (a cidade em tamanho proporcional aos pequeninos mas em tamanho de maquete em relação aos gigantes – alusão a uma “casa de bonecas”) e objetos como a caminhonete, que ora é brinquedo (quando os atores gravam suas cenas como gigantes) ora é real (quando os atores gravam suas cenas como pequeninos. Episódio complexo e autoreferente. Parabéns novamente pela matéria e desculpe pelo texto longo, mas essa série me emociona tanto em termos de entretenimento quanto de observação crítica e técnica. Obrigado.

  6. carlos disse:

    eu assistia quando era garoto, claro, na minha epoca, por volta de 1974, e ainda tinha a felicidade de assistir , nessa ordem, perdidos no espaço,tunel do tempo e terra de gigantes, passava aos sabados a tarde, os 3 seriados , terminava um começava o outro, como era feliz, nao via a hora da semana acabar pra logo chegar o sabado e me deliciar com os meus seriados mais favoritos, e depois de acabar, tinha disneylandia, como era bom ser cirança naqueles tempos, epoca de sonhos,

  7. roseli scarelli disse:

    Nossa!!!Como eu gostava deste seriado.

  8. ricardo disse:

    oi pessoal,quer matar a saudade?esses seriados foram lançados pela MA filmes,classics,voçe encontra no centro da cidade de são paulo em lojas perto largo do paissandu(igreja)e av São joão,em embalagem tipo BOX,tem tudo,todas as séries clássicas dos anos 60 ,voçe encontra tambem em outras lojas de São Paulo,as vezes pequenas,ou assista no CANAL BRASIL,50,na tv.

  9. Finalmente uma matéria informou que o planeta dos gigantes está em uma dimensão paralela, o que correto, mas na minha opinião, além de estar em outra dimensão o planeta é o planeta Terra, justamente em outra dimensão.