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Título: O Super-Herói Americano
(The Greatest American Hero/1981-83/EUA/Cor)
No dia 18 de março de 1981, estreou nas noites da rede americana ABC uma série de tevê que marcaria uma época pela sua originalidade: O Super Herói Americano, uma deliciosa paródia dos super-heróis. Por mais demodê que pareça, alguns heróis realmente são inesquecíveis. É o caso de Ralph Hinkley (Willian Katt), um desajeitado professor secundário que ganha super-poderes nesta série de tevê, lançada em 1982 pela rede americana ABC e transmitida no Brasil pela TVS (o atual SBT). O programa marcou época para quem já passou dos 30 anos de idade e basta ouvir alguns segundos o tema de abertura "Believe it or Not", uma das mais açucaradas canções dos anos 80, para relembrar as divertidas aventuras do aspirante a herói.
Já em casa, ao notar a perda, Ralph se vê inserido dentro de uma grande enrascada. Contudo, preocupado com a incumbência de ser um super-herói e, ainda por cima, sem instrução alguma, Ralph decide não seguir a carreira de herói. Dias depois, o professor está muito atrasado para a audiência que decidirá a custódia de seu filho. No meio do caminho, já desesperado com o relógio, cria coragem, pára o carro, procura um banheiro e veste seu poderoso uniforme. Em um beco próximo, mesmo sabendo que está cometendo uma loucura, Ralph tenta dar seu vôo inaugural, mas sem sucesso. Por sorte, um garotinho que está observando tudo sugere a Ralph que faça como o Superman: dê três passos e salte para poder voar. Assim, finalmente ele consegue, mesmo que totalmente desequilibrado e fora de controle. Mas não demora muito para que o novo herói se esborrache contra um edifício. Resultado: caiu inconsciente, foi preso, internado como louco e, de quebra, perdeu a custódia do filho. Isso foi só o início de uma de suas mais patéticas e hilariantes aventuras, tentando descobrir os poderes do uniforme. Durante a série, foram inúmeras, terríveis e cômicas as tentativas de aterrissagens, além de dolorosos choques contra muros e paredes.
Mas, apesar de que Ralph pensa muitas vezes em desistir de tudo e entregar o uniforme às autoridades, os dois parceiros se tornaram grandes amigos no decorrer da série. Exemplo disso são as piadinhas do agente para cima de Ralph. Uma das preferidas é pedir para Ralph colocar seu "pijaminha" quando vão para alguma missão. Pam Davidson (Connie Selleca), a advogada de Ralph, passa a ser sua nova namorada e ajuda no dia a dia do herói atrapalhado. A partir da 2ª Temporada da série, os dois se casam após terem rompido o relacionamento durante alguns episódios. Na mesma fase, outro personagem aparece para ajudar Ralph: é Kevin (Brandon Williams), o filho que Ralph perdeu a custódia e que agora já é um adolescente. As únicas pessoas que souberam do segredo de Ralph foram o agente Maxwell e sua namorada e advogada Pamela Davidson. Poderes Um dos poderes da roupa alienígena era o de "sentir" as pessoas à distância. Para tanto, era necessário que o professor tocasse em algum objeto pessoal desse alguém. Assim, ele teria uma visão dela, seja em um passado recente ou mesmo onde essa pessoa estaria naquele instante. Outro poder interessante é a pirocinese, que é a habilidade de controlar o fogo e o calor. O único problema é que ele só consegue atear fogo em objetos que estivessem atrás dele, o que é muito hilário. Mesmo assim, este poder ainda é útil às vezes.
Você já deve ter notado que alguns desses poderes são similares aos daquele famoso kryptoniano, não? Obviamente, as semelhanças renderam processos da editora DC Comics contra a rede ABC (mais detalhes abaixo). O bordão publicitário "Você vai acreditar que o homem pode voar!", da série de cinema "Superman", sucesso da época, era uma das razões de ser da série O Super Herói Americano. Ao assistir esta paródia, você entende como isso é mesmo uma conversa fiada. A impagável expressão de desespero e gritos ensandecidos de Ralph, toda vez que alça vôo. Processos Estava claro que a premissa da série era parodiar o Superman, com histórias baseadas em como o Super-Herói Americano resolveria seus problemas sem ter a seriedade e a experiência do Homem-de-Aço. Atenta a isso, antes mesmo do programa estrear, a editora DC Comics – detentora dos direitos sobre o Superman – processou a Stephen J. Cannell Productions por considerar que o uniforme vermelho era uma cópia do Superman e do Flash. A DC perdeu nos tribunais, mas fez uma nova tentativa durante a 2ª Temporada da série. Desta vez, alegou que os poderes de Ralph eram parecidos com os do Superman e ganhou a causa. Como saída, a produção criou novos poderes para o Super-Herói Americano. Análise Não é uma comédia pastelão, mas sim uma comédia original onde as cenas cômicas mostram a realidade de ser um super-herói. A graça da série é mostrar uma pessoa normal, correta, em um mundo real, tentando conviver com poderes absurdos, adquiridos através do uniforme. Vivendo situações comuns, são, às vezes, muito mais complicadas do que os "perigos" que os heróis dos quadrinhos costumam enfrentar. Os roteiros são bem simples, muito parecidos até com os das séries de ação (e mesmo as de super-heróis) dos anos 70 e 80, mas com o diferencial de que em O Super-Herói Americano se assume o "papelão" que é usar uma fantasia para combater o crime. Só para se ter uma idéia do desespero, toda vez em que o atrapalhado protagonista tem que trocar de roupa, passa por vários tipos de sufoco. Os super-heróis dos quadrinhos têm o notável dom de mudar de roupa em um piscar de olhos, mas o bom e velho Ralph sempre prende a calça nas botas, enrosca a capa no cinto e leva muito tempo para se "transformar". Sem falar que ele pena para não perder suas roupas sociais e que, eventualmente, é pego em flagrante no banheiro, em um beco ou mesmo atrás de uma moita, e tem que dar uma de doente mental ou artista de circo para se safar do vexame.
Anos após o fim da série, houve uma tentativa de reciclar sua fórmula através de um novo episódio-piloto, que também nunca foi exibido na televisão: "The Greatest American Heroine", algo como "A Super-Heroína Americana", em que a identidade do Professor é revelada e os alienígenas mandaram passar a missão e o seu uniforme para uma mulher chamada Holly Hathaway. Não deu certo. O que chama atenção é a música tema da série. A abertura por si só já era muito boa, mas a música ficou eternizada. É ótima e ainda é executada até hoje, principalmente em rádios de som ambiente. A música se chama “Believe it or not” e foi composta por Mike Post e Stephen Geyer, sendo cantada por Joey Scarbury. Chegou ao segundo lugar nas paradas americanas em 1981.
A série O Super-Herói Americano virou raridade no Brasil. Isso por que sua última exibição foi ainda nos anos 80 pelo SBT. O canal iniciou suas atividades em 1981 como TVS, e já em 1982, um dos seus carros-chefe era o programa O Super-Herói Americano, apresentado uma vez por semana, em horário-nobre. A série revezava o horário com Show da Lucy, Esquadrão Classe A, O Homem que Veio do Céu e Tarzan (com Ron Ely). Um fato curioso é que, devido a guerra de audiência já naquela época, o SBT exibia episódios da A Pantera Cor-de-Rosa antes dessas séries iniciarem, a fim de sincronizar a programação a partir do final da novela da Rede Globo. Quando a novela acabava, o episódio que estivese no ar era simplesmente interrompido, sem que seu desfecho fosse exibido. A audiência de O Super-Herói Americano alcançava ótimos índices e ajudou a alavancar o canal de Sílvio Santos. As chamadas da série durante a programação diária eram bastante divertidas, visto que o herói era mostrado durante seus mirabolantes vôos e insuperáveis tombos. Algum tempo depois, a série deixou a programação e retornou só em 1986, desta vez pela manhã, logo após as séries Capitão Marvel (Shazam!) e O Elo Perdido. O público passou a ser o infantil, mas também deu bons resultados e manteve a audiência da garotada. Infelizmente, após essas apresentações, não houve mais noticias de que a série tenha ido ao ar novamente. A última vez que o SBT trouxe à tona algo sobre O Super-Herói Americano foi no ano de 2006, dentro de uma série de reportagens em comemoração aos 25 anos do canal. A dublagem brasileira da série ficou a cargo dos Estúdios Maga, cujas iniciais remetem ao nome de seu proprietário Marcelo Gastaldi (já falecido). Para quem não sabe, ele foi o dublador dos personagens Chaves e Chapolin. Na dublagem da série, seu trabalho foi na voz do Prof. Ralf Hinckley/Super-Herói Americano. Participaram ainda da dublagem, Antônio Moreno (Bill Maxwell) e Márcia Gomes (Pam Davidson). Os autores desta matéria são Cristiano Barcellos e Maurício Viel. Escreva para eles e faça seus comentários. |
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